Viva o trote do direito

Uma curtinha:

Essa semana acompanhamos na internet cenas lamentáveis, asquerosas, inconcebíveis e injustificáveis ocorridas durante um dos eventos que marcam o início da vida dos jovens no curso superior. Situações que, por mais que sejam discutidas ou justificadas, simplesmente não deveriam ter ocorrido. Situações que mostram que a educação recebida pelos jovens em nosso país está a beira da falência, tanto técnica quanto moral, ética e até cultural.

Estou falando, obviamente, dos erros apontados nas redações do ENEM. Erros técnicos – como redações com nota máxima que apresentam erros como “trousse”, e erros morais, como a simpática receita de miojo colocada na prova por um aluno. Uma situação surreal em vários níveis diferentes. O primeiro, claro: a falta de noção do aluno, de tomar a decisão de fazer uma coisa dessas em uma prova como o ENEM, que, por mais ridícula que seja, pode definir seu futuro acadêmico. A segunda, do MEC, de querer justificar que um absurdo desse tem alguma interpretação que não seja a de uma cagada gigantesca. Até o fato de a receita ser de miojo é preocupante: o jovem é tão intelectualmente preguiçoso que transcreveu a segunda receita mais fácil da culinária, só atrás do gelo. É absolutamente vergonhoso ver que um tipo desses corra um sério risco de entrar numa universidade e ter um diploma de curso superior.

Ah sim, e teve a história dos sujeitos do direito da UFMG, faculdade da qual sou ex-aluno, inclusive. Eu poderia seguir a linha do MEC e argumentar que eles são um produto desse meio doentio descrito aí em cima, mas isso seria imbecil da minha parte. Vou dizer apenas que adorei a atitude deles, e adorei o fato de ele ter sido fartamente documentada e divulgada. Achei ótimo ela ser tão sintomática.

Porque nada melhor que sintomas como náuseas e uma bela dor de cabeça pra te mostrar que tem alguma coisa errada. E que a educação que estamos recebendo no Brasil precisa ser hospitalizada com urgência.

Anúncios