Fufuca

Acordo com a notícia de que Fufuca assume a Câmara dos Deputados enfrentando a desconfiança de colegas. Não consigo deixar de pensar que “os colegas” estão errados.

Fufuca é o melhor nome na política do país em muitos e muitos anos.

Não estou falando do político. Estou falando do nome mesmo. Dessa combinação de dois Efes, dois Us, um Cê e um A. Faça um exercício, repita comigo três vezes:

Fufuca.

Fufuca.

Fufuca.

Se seu dia não começar melhor depois disso, você precisa aprender a apreciar melhor a poesia das palavras. Fufuca não traz absolutamente nenhuma energia negativa.
Fufuca tem um quê de nostalgia infantil muito gostoso.

Fufuca poderia ser um bebê de colo se referindo ao carro do avô, que é um fusca.

Fufuca poderia ser nome de prato que você come de férias no Nordeste, com farofa e carne seca.

Fufuca poderia ser o nome que um menino criado na roça dá pro seu porquinho de estimação.

Fufuca poderia ser o jeito que a Nair Bello se refere a sexo em alguma minissérie boa dos anos 90.

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“Ma che, desde que teu nono moreu que ninguém mais fufuca nessa casa, Bernadete.”

Fufuca poderia ser o jeito que o Osmar Santos se refere àquela bola que entra chorando e cai no cantinho da rede (“essa fooooooi direeeeeto na fufuca!”).

Fufuca poderia um quinto Trapalhão. Didi, Dedé, Mussum, Zacarias e Fufuca.

Mas não. Fufuca é um deputado. Mas mesmo sendo um deputado ele não consegue estragar a magia do nome.

Outro deputado, o Júlio Delgado (PSB-MG), disse o seguinte em entrevista ao Globo:

“- Se o Rodrigo (Maia), que conseguiu fazer uma grande coalizão, não conseguiu concluir a votação da reforma, imagina o Fufuca.”

 

Imagina. O. Fufuca.

Sério. Fecha o olho e pensa nessas três palavras. Imagina o Fufuca aí rapidinho.

Imaginou?

Se você não visualizou um cuzão gigante na sua mente você imaginou errado. Você é um adulto, ok, parabéns. Mas infelizmente perdeu toda a capacidade de ver poesia nas coisas.

E aí vai olhar pras notícias da Câmara nos próximos oito dias e não vai conseguir achar graça de nada, só vai conseguir ver o tanto que estamos tomando no fufuca mesmo.
Uma pena.
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Carta aberta ao Marcelo Oliveira

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Oi Marcelo, beleza?

Queria começar dizendo que admiro muito seu trabalho e sua personalidade. Você deve estar aí finalizando os últimos preparativos pra estrear com sua camisa favorita amanhã contra o grêmio, então vou ser breve. Queria só te fazer uma sugestão.

Eu sei que você entende muito de futebol, Marcelo, mas como atleticano sei que você entende mais ainda de Atlético. Então queria te dar uma ideia. Esquece esquema tático, Marcelo. Vamos de ESQUEMA DO AÉCIO. Eu sei, eu sei… você deve estar pensando que todo mundo conhece o esquema do Aécio né professor? Mas pensa: ele combina demais com o Galo. Vale a pena tentar, é o time que todo atleticano quer, olha só:

Quero nossa defesa jogando com muito amor à camisa e afastando qualquer mínima possibilidade de perigo.

Quero nosso ataque incessante, tentando qualquer chance, partindo pra cima com muita criatividade e pouca técnica, como é a cara do Tucan…er, do Galo.

E sabe o que é melhor desse esquema, Marcelo? Ele combina DEMAIS com o Leandro Donizete. Pode falar com o general pra fazer de tudo, a maioria das vezes os juízes não vão nem ver. E se verem também, tenho certeza que vão falar que não foi nada.

Enfim, quero o time inconformado com a derrota. Querendo vencer a qualquer custo. Quero raça, quero vontade, quero intensidade, quero que joguem como se tivessem… sei lá, cheirado um carreirão de pó (hipoteticamente falando, claro. Não queremos nenhuma suspeita de recursos ilícitos pairando por aqui).

Você deve estar me achando utópico e até um pouco clichê, né Marcelão… mas se o time jogar nesse esquema, te juro, a vitória vem.

Afinal se até hoje ninguém deu conta de parar, não vai ser na nossa vez de usar que vai dar errado né?

Boa sorte, professor. Vamo Galo!


12 motivos pelos quais eu prefiro conviver com um viciado em crack do que com um viciado em política

1- O viciado em crack é menos paranóico.

2- O viciado em crack não acha que todo e qualquer fato é motivo para ele falar de crack. Por exemplo, você não vê o viciado em crack dizendo: “o cara que quebrou o Neymar joga de vermelho?! A culpa é do crack!”

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3- Se sua família tem um viciado em crack, você pode interná-lo e nunca mais precisar ouvir ele falando de crack nas festas de família.

4- O vício em crack já é considerado um problema de saúde pública.

5- Sempre que existe a oportunidade, viciados em política fazem sexo oral (metaforicamente) nos responsáveis por seu vício. Sempre que existe a oportunidade, viciados em crack fazem sexo oral (de verdade) nos responsáveis pelo seu vício. Todo mundo sabe que sexo oral real é melhor que sexo oral metafórico.

6- O viciado em crack tem o cérebro menos afetado.

7- Viciados em política conseguem ficar horas babando e gritando. Viciados em crack dormem depois de 15 minutos.

8- Onda de crack não deixa a pessoa pedante.

9- Viciados em crack vendem o computador pra sustentar o vício, logo não podem entrar no facebook para escrever bobagem sobre o seu vício.

10- Viciados em crack não conseguem pagar de inteligentes para outros usuários de crack cujo cérebro já foi mais afetado pela droga.

11- Viciados em política sentem uma necessidade imensa de relativizar, justificar em empurrar a culpa quando corrupção e negligência derrubam um viaduto. Viciados em crack se contentam em morar debaixo do viaduto.

12- Viciado em  crack reconhece que tem um problema quando acorda da viagem alucinógena todo fudido e cagado.


Excelentíssimos senhores

Secretários, Prefeitos, Deputados, Senadores, Ministros e demais autoridades que estão considerando difícil entender quais são as reinvindicações dos protestos no Brasil, e consideram a falta de liderança um dificultador para começar as coisas, gostaria de tomar a liberdade de tentar esclarecer essa questão para os senhores (e para as pessoas que também consideram que o movimento não tem foco).

Primeiramente é preciso ressaltar que esse é um movimento recente, que nasceu com uma demanda em um lugar específico e foi sendo abraçado por outras pessoas e outras causas. Isso explica o volume de reinvindicações. Só que isso não tira o foco do movimento, porque, convenhamos, existem sim vários motivos para reclamar da atuação dos senhores. Mais ainda: somos um povo que não está acostumado a pressionar os senhores dessa maneira, isso explica nossa vontade de reclamar tudoaomesmotempoagora. Desculpem a nossa falta de maturidade. Prometemos que nas próximas vezes seremos mais específicos, por exemplo no dia 26 próximo, quando vamos reclamar sobre a PEC 37, que em nada nos agrada AMANHÃ, quando alguns de nós vão reclamar com tudo do projeto de cura gay e da presença do Feliciano na Comissão de Direitos Humanos.

Isto posto, vamos falar da falta de foco, de lideranças e da dificuldade de entender o movimento: esse movimento não busca tomar o poder. Não vai, na minha concepção, instaurar uma guerra civil ou reverter a ordem social vigente. Continuamos apoiando incondicionalmente a democracia e o fato de termos governantes democraticamente eleitos. Isso esclarece a questão das lideranças: as lideranças são VOCÊS. Vossas excelências é que foram eleitos para nos representar. Não temos que negociar com vocês, vocês têm que negociar pela gente.

“Mas negociar o quê”? Vossas excelências perguntam. “Está meio difícil de entender”, vossas excelências afirmam. Pois bem: realmente, as reclamações são inúmeras.

Mas vocês sabem ler (sem ofensa, Tiririca).

Leiam os cartazes.

E vocês vão encontrar focos bem específicos de reinvindicação como PEC 37, Estatuto do Nascituro, várias coisas sobre mobilidade urbana e até o fim do exame da OAB, entre outros.

Leiam os cartazes.

E escolham as pautas relevantes e se posicionem sobre elas.

Leiam os cartazes.

E se comportem como as lideranças democraticamente eleitas que foram para representar as demandas do povo.

Leiam os cartazes.

E trabalhem direito, porra.


O idiota de Schrödinger

O velho Schrödinger era um desses cientistas que, de tão inteligentes, você não consegue entender porra nenhuma que eles falam. No caso específico de Schrödinger: numa tentativa de explicar física quântica, ele inventou uma situação hipotética em que um gato numa caixa poderia estar ao mesmo tempo vivo e morto. Não tenho a menor inclinação em me interessar por física quântica, mas amo metáforas. Então vou pegar emprestado o exemplo do gato que está ao mesmo tempo vivo e morto para falar de situações conceitualmente opostas que parecem ocorrer simultaneamente nos mesmos seres sem maiores problemas. Estou falando dos idiotas de Schrödinger.

O termo “idiota de Schrödinger” me ocorreu hoje ao voltar pra casa, dentro de um ônibus lotado. Havia uma moça sentada à minha frente, que ao mexer no cabelo revelou uma tatuagem no antebraço: um coração com as iniciais “A. J.”. “Caramba” – pensei, “Pior do que tatuar o nome é tatuar as iniciais do cara. Você é ao mesmo tempo baranga o suficiente pra fazer a tatuagem e covarde o suficiente pra não fazer”. Eis que me ocorreu a iluminação: na situação-base de fazer uma tatuagem com o nome do amado, a mocinha ponderou os dois lados conceitualmente opostos (o amor eterno e a grande possibilidade de dar merda) e, incapaz de decidir-se entre um desses lados, escolheu uma posição intermediária medíocre, que nem preservou seu antebraço de uma tatuagem com grandes potenciais de arrependimento e nem passa o significado personalizado que ela queria (“A. J.” pode ser tanto Allysson Jilberto quanto AJ, o Backstreet Boy). Ela está ao mesmo tempo errada de fazer e de não fazer a tatuagem. Eis o idiota de Schrödinger!

Fiquei pensando em outros exemplos de idiotas de Schrödinger pra ver se o termo fazia mesmo sentido. Comecei a buscar na memória pessoas que abrigavam em si comportamentos e situações opostas na essência, e que conseguem conviver com isso sem explodir e abrir um buraco no contínuo espaço-tempo. Pensei nos fumantes que praticam atividades físicas regularmente. Pensei nos católicos que usam camisinha… Ao descer do ônibus, já queria correr pra escrever esse texto e “patentear” o termo. Foi então que comecei a lamentar o fato de que provavelmente nunca mais verei a menina que me inspirou esse pensamento. “Que pena. Onde vou achar outro espécime que represente tão bem o idiota de Schrödinger?”

Foi então que abri um site de notícias, e vi que o Presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados diz frases como: “a AIDS é o câncer gay” e “Nós também recebemos o gene africano. Por isso alguns lugares do Brasil são muito pesados”. Estava ali o exemplo perfeito do idiota de Schrödinger. Mas então outro pensamento me ocorreu: se você consegue presenciar uma situação como essa não se posicionar a respeito de certos assuntos “pra não desgastar”, o exemplo perfeito do idiota de Schrödinger é você.


Do not start up. Start right.

O governo federal vai lançar nessa quinta feira um programa chamado “Start-up Brasil”, que visa fomentar, com a injeção de dinheiro e outros tipos de apoio público, empresas iniciantes que possuam projetos de base tecnológica. De acordo com estudo do Instituto Inovação para o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, foram criadas no Brasil em 2012 cerca de de 2 mil novas empresas. Segundo um técnico que participou da formulação do novo programa, esse ritmo de crescimento só será sustentado, a partir de agora, com estímulos públicos. Outro dado interessante, divulgado em reportagem da Exame, conta que existe uma previsão por parte do programa prevendo que até 25% das companhias que serão estimuladas sejam estrangeiras com projetos no País.

Soy contra. O próprio nome do negócio, “Start-up Brasil”, em inglês, já evidencia a nossa falta de intimidade com o negócio. Na minha opinião, apesar dos avanços, a gestão brasileira (pública e privada) ainda bate muita cabeça. Dona Dilma parece conduzir essa imponente diligência chamada Brasil apontando os cavalos cada um para um lado.

O novo programa visa aproximar as companhias das universidades e institutos federais. Louvável. Mas mais louvável ainda seria se eu, quando fui aluno de uma instituição federal, tivesse conseguido sair de algum de meus três estágios com a documentação que deveria ser trocada entre universidade e empresa em ordem. Documentação básica, que se perdeu, nos três casos, pelo excesso de burocracia e falta de diálogo entre academia e mercado. O que quero dizer é: não estamos fazendo o básico direito, e já estamos querendo fazer o difícil.

Na parte que compete ao governo, a contradição: ao mesmo tempo que sucateia as universidades, facilita o acesso pelos meios errados (baixando o nível de exigência ao nível do conhecimento e não aumentando o nível de conhecimento ao nível de exigência), deixando que cada buteco tenha uma faculdade funcionando nos fundos, recorta o ensino ao nível mais técnico possível, etc etc, faz coisas como um programa de estímulo a startups. Uai, tá faltando alguma coisa aí no meio. Queremos formar e estimular empreendedores tornando o ensino cada vez mais capenga?

Na parte que compete à gestão privada: startups pelo visto são a moda de 2013. Palavras como “inovação”, “empreendedorismo” e “colaboração” estão presentes nos discursos de empresas com as práticas mais antiquadas da paróquia. Querem um profissional que saia da faculdade pronto, multifacetado e barato. Estagiários são tratados ou como uma subcategoria de assistente ou como mascotes das empresas, parece hora do recreio. Resolver problemas do dia a dia parece fora de cogitação, estamos todos muito ocupados pensando em como seremos o novo escritório do Google.

Todos querem avançar, mas todos querem ir no colo. O importante é inovar. Vontade o Brasil inteiro tem, o que não tem é senso crítico. No primeiro parágrafo a reportagem da Exame conta que a criação anual de mais de duas mil empresas não é sustentável sem o aporte público. Ora, que não seja então. Criar empresas é muito mais que ter o conhecimento técnico. É ter conhecimentos gerenciais, éticos, sociológicos que as universidades vêm constantemente suprimindo. É pastar para aprender marketing e lidar com a falta de verba (que o “Start-up Brasil” vai bancar. Os dois.). Passou da hora de pararmos, todos, de evitar os problemas básicos e criar demandas novas porque elas são mais glamurosas. Passou da hora de pararmos de tomar anabolizantes públicos e achar que o governo está aí pra bancar os erros no processo.

Quem precisa de inovação constante são os mercados maduros. Mercados imaturos precisam é de disciplina, em todos os sentidos da palavra. Que o Brasil cresça de acordo com suas capacidades e seus méritos. Encarando seus problemas e não tentando desviar deles. Senão quem vai ter que, lá na frente, pagar a conta desse obeso anabolizado, flácido e sem virilidade sou eu, e eu não tô afim.

Start-up Brasil”… humpf. De boas intenções esse blog, o Brasil e o inferno estão cheios.


Quadrilha

Quadrilha

Aécio amava Márcio que amava Pimentel
Que era do partido de Roberto que era o mesmo de Patrus
Que era ministro do Lula que não sabia de nada.

Aécio foi pro Rio de Janeiro, Pimentel foi dar palestra,
Roberto foi um desastre. Patrus tem ação e coração
mas não tem poder de reação. E Márcio casou-se com Délio Malheiros
que estava o tempo todo do outro lado da história.

 

 

*Nota do autor: poema inspirado pela obra homônima de Carlos Drummond de Andrade e dedicado a todos os cidadãos conscientes que passam o dia tentando nos fazer enxergar a roupa nova do rei no facebook.

*Nota do autor II: esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações terá sido mera coincidência.

*Nota do autor III: notificações judiciais só serão aceitas se enviadas através de emissário cujo meio de transporte seja o futuro metrô Savassi/Pampulha, cujas obras já estão em avançado estágio de sondagem. Na Praça Sete.