Pequenos divertimentos na vida de uma pessoa sarcástica II – agora em fotos

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Dudu Indelicado

Você que está aí sentado confortavelmente na frente do computador compartilhando #foto #de #tacinha #de #champa no face não consegue perceber, mas uma guerra está prestes a começar bem debaixo do seu nariz, seu alienado.

Em breve a turma do BBB vai pedir a reintegração de posse dessa timeline e vai encontrar um monte de índios Guaranis Kaiowas acampados por aqui. Eles querem transformar a área em uma reserva para cães abandonados. A polícia será chamada e irá restaurar a ordem separando a bagunça: metade pro lado dos machistas e a outra pro lado dos racistas. A polícia do politicamente correto não dá mole. Por sorte tem gente rezando pela segurança da família brasileira. A própria Maria mãe de deus vai dar o ar da graça pra apaziguar a timeline. 36 vezes por dia.

Mas a grande maioria do povo brasileiro não vai nem ver o que está acontecendo, porque desligou o computador e foi ler um livro…. epa, nada disso! De acordo com a mídia golpista a grande verdade é que a galera não prestou atenção porque estava tentando ver um vídeo inacreditável em que uma menina de 17 anos faz estripulias na escola. Por sorte o Alexandre Garcia apareceu pra dizer que era vírus antes de ser tirado do ar e demitido da Rede Globo. O vírus era culpa do Lula, mas isso ninguém comenta! Se fosse futebol todo mundo comentava!

Os únicos que não acreditaram no vídeo foram os ateus, porque eles não acreditam em na-da. Aliás, de tão superiores, foram embora na garupa do quadriciclo do Zeca Pagodinho. Só deixaram uma enquete sobre esse texto pra trás:

Se você acha que a Fani vai ganhar o BBB, curta.

Se você acha que filho de político tem que estudar em escola pública, compartilhe.

Se ESTA PESSOA NÃO SE SENTIU OFENDIDA PELOS ESTEREÓTIPOS APRESENTADOS NO TEXTO, COLE ISSO NO SEU MURAL.

Se você se sentiu ofendido pelos estereótipos apresentados no texto, não se preocupe: as cinco primeiras pessoas que comentarem enchendo meu saco, em algum momento do ano, serão mandadas pro inferno. Talvez eu mande pessoalmente, talvez por email…


Invisible children. Invisible brains.

Você provavelmente viu o vídeo.

Antes de ver o vídeo, você provavelmente não tinha maiores informações sobre a Invisible Children, realizadora do vídeo.

Antes de ver o vídeo, você provavelmente não tinha maiores informações sobre Kony, o guerrilheiro de Uganda.

E provavelmente continua não tendo.
Mas você provavelmente compartilhou o vídeo nas redes sociais assim que aqueles 29 minutos acabaram.

Não quero discutir o mérito do tema do vídeo. Kony lidera o que é hoje considerado um grupo terrorista, fato. Tampouco quero fazer um apanhado histórico e social dos motivos que levaram a África ao cenário que ela enfrenta hoje. Zeitgeist, Zeitgeist

Quero entender porque compartilhamos esse vídeo de maneira viral, da mesma maneira como fizemos com o Cala a Boca Galvão. Porque um era uma piada, o outro não. Por que nos preocupamos em tomar partido de uma situação que, 29 minutos antes, não tínhamos o menor conhecimento de causa, e que agora conhecemos apenas um lado? Um lado que parece plausível e cheio de boas intenções, sim, mas apenas um lado, de MUITOS. Uma versão. Uma versão realizada por gente cujo trabalho encontra vários e vários poréns pela internet afora pela falta de transparência, confira no google aí.

O vídeo é bem feito. A edição convence. A narrativa seduz. Quando se quer vender alguma coisa a alguém, essa fórmula é invencível. Sedução é a essência da propaganda. Agora, propaganda pode vender chocolate e vender guerra. Seduzindo.

Resumindo tomamos partido. Concordamos: Kony tem que ser encontrado e julgado, estamos nessa com a Invisible Children (que não é polícia, não é juiz e muito menos ugandense). Tomamos partido e contribuímos pra espalhar a versão (VERSÃO, que é diferente de INFORMAÇÃO), mas foi só um curtir e um compartilhar, então que diferença faz mesmo? (Dez milhões de visualizações em um dia). Tomamos partido sobre a situação de Uganda, mas onde fica Uganda no mapa mesmo?

As redes sociais são realmente poderosas. Mudam o fluxo da informação. O desafio é fazer isso sem, inconsequentemente, nos tornarmos os manipuladores da informação que tanto criticamos, no Brasil e no mundo afora. Isso sem falar das armadilhas do brand new slackativismo (o famoso ativismo de sofá) que pode acabar criando uma nova versão de falsos moralistas que acreditam que um share no facebook contribui efetivamente pra mudar alguma coisa.

Em tempo: não sou contra, nem a favor. Tô mais por fora da situação de Uganda e dos crimes de Kony do que estou dos novos rumos do tratamento de doenças no coração. E do mesmo jeito que não compartilho informações sobre tratamento de doenças do coração porque um sujeito me mandou pelo Facebook, não vou pedir pra julgarem Kony porque não sei o que ele fez. Sei o que uma organização que não conheço FALOU que ele fez.

“Não existe o bom ou o mau; é o pensamento que os faz assim.” – Hamlet (Willian Shakespeare)

Na dúvida, duvide.


Americanos Mal Acostumados

Recentemente alguns representantes dessa curiosa espécie abandonada por Darwin chamada povo estadounidense resolveu se manifestar de maneira bastante intempestiva na rede social Facebook.

Tudo aconteceu por que a Coca Cola “acidentalmente” postou duas frases em sua fan page, uma em português e outra em romeno, visíveis também para os fãs da marca nos Estados Unidos. Aí foi aquela chuva de protestos xenofóbicos porque os americanos não estão acostumados nem interessados em ler outra língua que não a sua própria.

Quem sai perdendo com essa babaquice em pleno 2011 são eles, mas curiosa foi a forma da Coca Cola, marca das razões para acreditar, se manifestar: a marca apagou o post. O Facebook foi outra marca “global” que não se manifestou frente a esse ataque de estrelismo americano que foi justificado como uma defesa contra a “invasão estrangeira” de uma de suas lovemarks, o próprio Facebook, considerado por eles como um 51º estado.

Que filhos da puta. Mas sinceramente, não dá pra julgar essa atitude, afinal Coca Cola e Facebook são eles próprios, americanos e, portanto, cúmplices dessa mentalidade imbecilóide.

Então a pergunta que eu faço é: quem mal acostumou os americanos?

Pois é.