Porque a profissão de meteorologista tem que acabar no Brasil

Eu estou cansado de ser pego desprevenido pelas mudanças climáticas desse nosso país tropical abençoado por deus. E nem adianta falar que a culpa é do aquecimento global, da poluição, das mudanças climáticas, el niño, la niña, el perro e el carajo: a culpa é dos meteorologistas e suas previsões do tempo fajutas. Acompanhe o raciocínio.

Você está em casa se preparando pra sair, quando pensa “opa, vou dar uma olhadinha na previsão do tempo do jornal pra ver se levo um casaco, um guarda chuva ou um protetor solar”. Você liga a TV no jornal e a mocinha do tempo (ou o próprio meteorologista) diz o seguinte:

“Sol entre nuvens com possibilidade de chuva no decorrer do dia. Mínima de 22 e máxima de 35 graus.”

Se você se lembrar das aulas de geografia da quinta série, vai se lembrar de que o Brasil fica no meio de uma placa tectônica. Isso significa que aqui não tem terremotos, tsunamis ou vulcões. Aqui também não tem furacões, ciclones, tufões nem nada. Aqui não neva (tá, neva. Mas você entendeu). Ou seja: a única coisa que pode acontecer nesse país é fazer sol ou chover! Aí me vem o sabichão do meteorologista com esse “sol entre nuvens com possibilidade de chuva”. Qualquer imbecil que olhar pra cima faz essa previsão. E ainda tem a temperatura mínima e a máxima que variam em média dez graus. Isso abrange tipo, TODAS as temperaturas de um planeta habitável.

E as peripécias do senhor do tempo continuam. Eis que surge na tela um mapa da pátria amada, idolatrada, salve salve, com uma faixa azul que vai de Manaus à Santa Catarina. No que nosso intrépido cientista manda essa:

“Um massa de ar frio que vai de Manaus à Santa Catarina pode provocar chuvas na área mostrada no mapa”.

Meu amigo, sabe quantos quilômetros tem de Manaus à Santa Catarina?! É céu pra caralho! É lógico que pode chover nessa área. Quer dizer então que se eu estiver no interior de Goiás é melhor eu levar o guarda chuva né, já que PODE chover de Manaus à Santa Catarina.

Mas não para por aí. Porque chega o verão e com ele as pancadas de chuva. E é aí que o meteorologista solta a pérola:

“Em um dia, choveu o previsto para todo o mês de dezembro.”

Ora, seu filho da puta. O seu trabalho não é fazer a PREVISÃO do tempo?!?! Se choveu em um dia o previsto para todo o mês tem alguma coisa errada, não acha não? Ou você garante que então não vai cair mais nenhuma gota do céu, já que choveu tudo que o garotão da mamãe previu que ia chover no mês?! Assuma suas responsabilidades.

E se isso não te convenceu que a profissão de meteorologista tem que acabar, é só pensar que hoje existe uma nova mídia chamada TV corporativa, que nada mais é que aquela tevezinha que fica passando notícias e frivolidades nos elevadores comerciais.  De minuto a minuto você tem assuntos como o placar do futebol, o último flagra da Miss Bumbum, o que estreou no cinema e até mesmo a cotação do Euro na Grécia. Então você não precisa mais do meteorologista nem pra responder o clássico “será que chove hoje?”

Nota do autor: não vou nem perder meu tempo explicando que isso é um texto sarcástico. Contra chatos não há argumentos.

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Seja engajado. Faça a diferença.


A Conspiração das Gruas

O atual momento de pujança econômica brasileiro faz com que alguns setores da economia experimentem uma fase positiva nunca antes vista na história desse país, como diria o nosso presidente que não sabia de nada, mas sabia usar jargões como ninguém. Um dos setores mais aquecidos nesse cenário é o da construção civil, principalmente nas grandes cidades brasileiras, em especial as que vão receber os grandes eventos esportivos dos próximos anos.

E é na construção civil que reside um dos maiores mistérios da sociedade urbana moderna: as gruas.

Majestosas no alto dos prédios em construção e obras de grande porte, as gruas se tornaram parte da paisagem nas cidades brasileiras que caminham rumo ao progresso. Porém, não é essa parte da história das gruas que chama atenção. Assim como as pirâmides do Egito, as gruas são ferramentas de uma tecnologia alienígena ainda desconhecida pelo homem. Elas surgem de uma compressão no contínuo espaço/tempo, realizam sua função nas construções humanas e depois desaparecem. Um dia elas estão lá, no outro não estão mais.

O que me preocupa é não saber qual a intenção dos alienígenas ao empregar esse tipo de tecnologia na Terra.

Você pode achar essa uma teoria absurda. Tudo bem. Mas te desafio a lembrar quando foi a última vez que você viu uma grua sendo montada. Ou desmontada. Ou transportada. Isso mesmo. Ninguém nunca viu.

Eles estão entre nós.


Status Quo

Rapper Emicida, cara consciente,

Atravessa o Brasil com sua crítica eloquente.

Mas hoje deve se lembrar de um fato que não mente:

Mostrar dedo pra polícia não é muito inteligente.

Juízo de valor é muita contradição,

Ofender a todo mundo pra atingir a corporação.

Tem muito bandido fardadado, isso é um fato brasileiro.

Mas tem pai de família honrado, se fudendo o dia inteiro.

Tem aqueles que transformam a polícia  em lamaceiro.

Mas tem gente trabalhando em show de rap no Barreiro.

 

Rapper Emicida, cara consciente,

Atravessa o Brasil com sua crítica eloquente.

Mas tem que se lembrar, não dá pra bater de frente,

Com essas marionetes na mão de um poder demente.

Não adianta pagar pau pra repressão social

E depois ir pra TV, abraçar senhor feudal.

Criticar por criticar nunca foi mobilizar

É botar dedo na ferida só pra infeccionar.

E massa de manobra todo mundo pode usar.

 

Rapper Emicida, talento extraordinário,

Antes que apareça algum sujeito otário

Me chamando de reaça aqui num comentário,

Destaco a última frase desse meu rap precário:

Não sou contra, nem a favor, muito antes pelo contrário.

 

ATITUDE E RESPEITO

 

 

 


O problema com o Brasil

Uma rápida reflexão:

esse nosso país tem problema pra caralho. Muitos mesmo. Problemas estruturais, como o nosso sistema público de saúde. Problemas socio culturais, como a nossa corrupção pandêmica.

E como desgraça pouca é bobagem, essa semana um novo problema teve destaque, um realmente assustador: um problema comportamental.

A gente já sabia que a maioria (sim, a maioria) dos brasileiros trata política como futebol: escolhe um partido ou um político e torce por ele – ou justifica incondicionalmente seus maus resultados – tal qual faz com o time do coração. Mas essa semana a ignorância desceu mais um andar: câncer virou argumento político.

Nada justifica dizer que o Lula tem que se tratar no SUS. Nada. Simplesmente porque esse argumento não visa mostrar a precariedade do nosso sistema de saúde ou uma oportunidade de um político fazer um grande trabalho de relações públicas. Esse argumento foi lançado pura e simplesmente para expressar o desejo de que o Lula se foda.

Mas estamos falando de um tumor na garganta de uma pessoa.

“Ai, mas foi o próprio Lula que falou que queria ficar doente pra se tratar no SUS.”

Meu amigo, se você acha que cada vez que o Lula falar merda você tem que falar merda também, deve ser foda conversar com você.

 

 


Quem Vigia os Vigilantes?

Abro o twitter nesse fim de domingo e vejo vários links pra uma reportagem da Folha que conta que Rafinha Bastos não estará na bancada do CQC na noite de amanhã. Tudo por causa de uma piada que não destoa em nada das que ele costuma fazer já tem tempos, mas dessa vez a piada ofendeu amigos que têm amigos.

Obviamente, alguém passou a mão no telefone e ligou pros chefes de Rafinha, cobrando uma providência, e eis que ele tomou uma suspensão do programa (até o momento).

Tive a oportunidade de ver Rafinha na TV e no teatro. Na TV a graça passou rápido, à medida que o CQC ia fazendo sucesso, e o humorista foi ganhando espaço e confiança até se tornar grosseiro, arrogante e desrespeitoso. No teatro, gostei de seu espetáculo. Ri de muitas piadas, algumas das quais penso que não acharia tanta graça se ditas na TV por destoarem do “ambiente”.

Quando as piadas de Rafinha (ou qualquer outro) me ofenderam de alguma maneira, xinguei muito no twitter, chamei-os de babaca e clamei por censura. Não satisfeito, eu FIZ a censura: mudei de canal. Desliguei a TV. Dei unfollow no twitter. Não comprei ingressos para seus espetáculos. Ninguém precisa de ninguém censurando que tipo de informação consome em pleno 2011. Os instrumentos de censura estão todos aí à mão, para serem usados com sabedoria.

Mas esse parece não ser o pensamento da maioria dos brasileiros e nem da direção da Band, que resolveu punir seu empregado pela colocação infeliz. Todos sabemos da pressão que a emissora deve ter sofrido para tomar tal atitude, mas tomando essa atitute creio que a emissora cometeu um erro conceitual: implodiu seu programa de maior sucesso.

Obviamente, o CQC vai continuar, vai ter audiência, vai ter anunciantes. Mas acho que Marcelo Tas e sua turma (e a própria Band) vão sentir um pouquinho de vergonha cada vez que lembrarem, com ironia, que o nome do programa é CUSTE O QUE CUSTAR.

(o título desse post é uma referência à graphic novel Watchmen, que, apesar de escrita em outra época e outro contexto, diz muito sobre o nosso tempo).

 


Sobre Leandrinho, Nenê e o Basquete Brasileiro

Eu não gosto de basquete (eu não tenho tamanho pra gostar de basquete). Logo, eu não acompanho o basquete, seja brasileiro, americano ou sérvio. Porém acompanho o noticiário esportivo (e o twitter) e não pude deixar de perceber o regojizo de jornalistas e espectadores com a vitória do time de basquete sem a ajuda de Leandrinho e Nenê, que atualmente jogam na NBA e pediram dispensa da seleção alegando motivos pessoais.

Resumindo a novela, a seleção se classificou pras olímpiadas e o grito de vitória foi um sonoro “CHUPA!” direcionado a Lenadrinho e Nenê, esses mercenários traidores da pátria que viraram as costas pra nossa seleção.

Achei o máximo o basquete brasileiro se reerguer, conseguir a vaga nas olimpíadas e não depender de falsos ídolos pra mandar bem. Achei o máximo imaginar a cara de Leandrinho e Nenê assitindo o sucesso da seleção. Torço, como muitos, para que eles fiquem de fora do time que irá disputar as olimpíadas em Londres.

Mas não deixo de me sentir envergonhado ao pensar quantas vezes esses dois rapazes devem ter sido cortados de clubes porque o programa de basquete foi cancelado.

Quantas vezes devem ter trabalhado recebendo salários ridículos.

Quantas vezes devem ter aturado dirigentes incompetentes colocados à frente do nosso esporte por decisões políticas.

Qquantas vezes devem ter recebido “nãos” de patrocinadores… pra hoje, vencidas todas as dificuldades, serem julgados como mercenários por gente como eu.