Carta aberta ao Marcelo Oliveira

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Oi Marcelo, beleza?

Queria começar dizendo que admiro muito seu trabalho e sua personalidade. Você deve estar aí finalizando os últimos preparativos pra estrear com sua camisa favorita amanhã contra o grêmio, então vou ser breve. Queria só te fazer uma sugestão.

Eu sei que você entende muito de futebol, Marcelo, mas como atleticano sei que você entende mais ainda de Atlético. Então queria te dar uma ideia. Esquece esquema tático, Marcelo. Vamos de ESQUEMA DO AÉCIO. Eu sei, eu sei… você deve estar pensando que todo mundo conhece o esquema do Aécio né professor? Mas pensa: ele combina demais com o Galo. Vale a pena tentar, é o time que todo atleticano quer, olha só:

Quero nossa defesa jogando com muito amor à camisa e afastando qualquer mínima possibilidade de perigo.

Quero nosso ataque incessante, tentando qualquer chance, partindo pra cima com muita criatividade e pouca técnica, como é a cara do Tucan…er, do Galo.

E sabe o que é melhor desse esquema, Marcelo? Ele combina DEMAIS com o Leandro Donizete. Pode falar com o general pra fazer de tudo, a maioria das vezes os juízes não vão nem ver. E se verem também, tenho certeza que vão falar que não foi nada.

Enfim, quero o time inconformado com a derrota. Querendo vencer a qualquer custo. Quero raça, quero vontade, quero intensidade, quero que joguem como se tivessem… sei lá, cheirado um carreirão de pó (hipoteticamente falando, claro. Não queremos nenhuma suspeita de recursos ilícitos pairando por aqui).

Você deve estar me achando utópico e até um pouco clichê, né Marcelão… mas se o time jogar nesse esquema, te juro, a vitória vem.

Afinal se até hoje ninguém deu conta de parar, não vai ser na nossa vez de usar que vai dar errado né?

Boa sorte, professor. Vamo Galo!

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BREVE ENQUETE PARA ACABAR COM A DISCUSSÃO NA INTERNET E DEFINIR SE O TIME DO POVO É O GALO OU O CRUZEIRO

1- Este time pensa no trabalhador e por isso pressiona a detentora dos direitos de transmissão para mudar os horários de jogos que terminem de madrugada no meio de semana:

(   ) Galo

(   ) Cruzeiro

(   ) Nenhum dos dois

2- Este time usa a enorme participação política de sua diretoria para manter o transporte público funcionando em toda a cidade em jogos que terminam após a meia noite.

(   ) Galo

(   ) Cruzeiro

(   ) Nenhum dos dois

3- Este time possui uma faixa de ingressos a preços realmente populares e desvinculado de sócio torcedor para permitir o acesso de classes desfavorecidas ao estádio:

(   ) Galo

(   ) Cruzeiro

(   ) Nenhum dos dois

4- Este time se posiciona publicamente contra medidas arbitrárias e que visam desestimular a ocupação do espaço urbano como a proibição de estacionamento ao redor do estádio e de churrascos em vias públicas em dias de jogo:

(   ) Galo

(   ) Cruzeiro

(   ) Nenhum dos dois

5- Este time aproveita as receitas de patrocínio em troca de estampar marcas em seu uniforme para estabelecer um preço acessível às suas camisas:

(   ) Galo

(   ) Cruzeiro

(   ) Nenhum dos dois


ENTENDA PORQUE O GALO É O MAIOR TIME DO PLANETA

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Pesquisa aponta que o Galo é foda.

 

Uma pesquisa realizada na manhã de hoje apontou o Clube Atlético Mineiro, campeão da Recopa Sul Americana na noite de ontem, é o maior time do planeta.

A pesquisa levou em consideração as recentes conquistas do clube, o fato de que seu goleiro deveria ser titular absoluto do Seleção se a CBF quiser que alguém leve aquele time a sério e o fato de sua torcida ser absolutamente incrível.

O levatamento foi feito por este blog, que entrevistou três atleticanos. 100% concordaram com a afirmação.

 

E você? Não concorda? Achou a notinha parcial? Tudo bem.

 

Só te peço então pra refletir antes de compartilhar vídeos e textos “para entender o conflito no Oriente Médio” que tenham sido postados no facebook por federações israelitas.

Uma campanha para manter os argumentos de torcida restritos às discussões sobre futebol. E para manter a sanidade.

 


Cinco fatos inusitados que você não conhecia sobre a copa

01-   O Black Bloc malvadão que aparece queimando o Álbum da Copa aí embaixo certa vez deu uma entrevista num point de trocas de figurinhas na Vila Olímpia onde afirmava “só faltar o Messi pra completar a seleção da Espanha”.

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02-   As salas de espera dos aeroportos reformados para a copa não só obedecem ao Padrão FIFA como foram inspiradas nas salas de espera da própria FIFA, aquelas virtuais criadas para quem quer comprar ingressos no site da entidade: ambas não funcionam e sequer existem no mundo real.

 

03-   O Álbum da Copa funciona como uma Lei da Ficha Limpa do futebol. Só figurinhas em plenas condições de jogo (e algum apelo popular) voltam a aparecer quatro anos depois. Mas assim como a Ficha Limpa, o álbum erra: taí o Robinho pra provar.

 

04-   As fotos de Iker Casillas utilizadas nos álbuns de 2002 e 2014 foram originalmente utilizadas  em uma campanha que mostra os malefícios da exposição ao sol na aparência das pessoas.

4.1- Iker Casillas possui ainda uma orelha que tenta fugir de sua cabeça.

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05-   Os entusiastas da Copa apontam (corretamente) a inevitabilidade do evento e expõem sua necessidade de autoafirmação dizendo que amam futebol e ele não é a causa dos problemas do Brasil, bradando a plenos pulmões: Vai ter Copa!

Certinho.

Mas talvez o fato mais importante de se lembrar sobre a Copa é que vai ter também o depois da Copa.

*Contribuiu com a ideia original Alisson Rogério, fã da bola no pé e do pé no chão.


Peruanos Arianos

Ontem, cidadãos de um país da América Bolivariana deram uma péssima demonstração de ignorância imitando macacos toda vez que um jogador negro tocava na bola. A pior manifestação de racismo possível.

Sim, mimiminoria leitora: nem todo racismo é igual. Como nem toda homofobia e nem todo machismo. Se assumirmos que todas essas formas de violência vem sempre na mesma intensidade, assumimos também que nossa resposta deve ser sempre a mesma, e não deve. As vezes vale mais a pena educar. As vezes vale mais a pena reprimir. As vezes vale mais a pena punir. Difícil de engolir?

Quem disse que reverter ignorância é fácil?

Ontem, cidadãos de um país da América Bolivariana deram uma péssima demonstração de ignorância imitando macacos toda vez que um jogador negro tocava na bola. Hoje, várias pessoas se manifestam repudiando o ato. Dizendo que racismo é racismo. Não importa se vindo do Peru, da Nigéria ou da Noruega. Ora, importa sim e importa muito. Ver cidadãos de um país sul americano de origem indígena (e portanto sofredor de inúmeras mazelas colonialistas), que possui uma parcela significativíssima de emigrantes sofrendo xenofobia em diversas partes do mundo dando uma demonstração ridícula de ofensa e exposição de um ser humano é de um simbolismo enorme.  Enorme porque quebra uma lógica que não deveria estar mais vigente em 2014: a da desigualdade pela lógica de oprimidos e opressores. Ou vai me dizer que aquela parcela de peruanos imitando macacos são inatos opressores?

Todos somos oprimidos e todos somos opressores. Depende da máscara que trocamos durante o dia. Quando um sul americano imita um macaco, ele demonstra que não importa o passado, não importa o sofrimento, não importa a compaixão: importa o “nós” diferente do “eles” no agora.

Obrigado, peruanos, por ajudar a desconstruir essa ilusão de oprimidos e opressores. Essa lógica só serve para licença poética. Pra chamar violência de “revolta”. Pra justificar que a base da pirâmide execute pessoas em roubos cada vez mais violentos, que o meio da pirâmide amarre pessoas em postes e que o topo da pirâmide proponha “leis antiterrorismo”.

Não exclua quem compartilha vídeo da Sheherazade do Facebook. Ou quem zoa o outro torcedor com piadas homofóbicas. Não levante o muro entre o “nós e o “eles”. Debata, explique, entenda. Engula seco, levante, tome uma água. Escreva, apague, repense. Aproveite o fato de que não dá pra socar ninguém pela internet e aproxime as diferenças. Não saia de campo e vire o jogo.

Sou Galo e tô #FechadoComOTinga porque as vezes é preciso abrir mão do que se acredita cegamente pra tornar o mundo mais tolerante e tolerável.


Naqueles dois minutos

Poucas vezes na vida alguém escolhe deliberadamente um caminho tão sofrido como quando, pelo motivo que seja, escolhe ser atleticano. E poucas vezes um momento consegue resumir tão perfeitamente toda uma existência.

Naqueles dois minutos entre a marcação do pênalti e o voleio salvador de Victor foi revisitada a vida inteira do Clube Atlético Mineiro.

Naqueles dois minutos que fomos eliminados da Libertadores, pesaram mais de 100 anos de uma história muito bonita, mas que de fato é carente em momentos de consagração.

Naqueles dois minutos vieram as lembranças de todas as vezes desses mais de 100 anos em que fomos derrotados por ironias do destino, por falta de competência, de sorte e pela má fé de terceiros.

Naqueles dois minutos estava resumida uma história de mais de 100 anos de momentos de abatimento e de forças retiradas sabe-se lá de onde para levantar a cabeça e continuar torcendo pelo Galo.

Naqueles dois minutos estávamos nos preparando para, mais uma vez em mais de 100 anos, resignarmos e reconhecer que havíamos chegado longe, e a jornada havia sido incrível.

Naqueles dois minutos foi impossível não pensar que o Horto, dessa vez, poderia ser a nossa própria sepultura, para deleite de nossos adversários mais mesquinhos.

Sem dúvida, aquele pênalti aos 46, que podia selar o destino do Galo de maneira trágica e cruel diante de sua torcida, resume uma história de dramático amor. Aquele pênalti começou a ser batido em 1908. E naqueles dois minutos (que começaram em 1908) passamos por todos os anos em que ficamos pelo caminho.

Mas não estamos mais em nenhum desses anos. Estamos em 2013.

E todo mundo sabe que 13 é Galo. Místico. Como mística é a torcida, que merece a camisa 12 porque é o coração que pulsa energia para dentro do campo. E místico é nosso estádio, nossa fortaleza, até hoje impenetrável. E místico foi o nosso goleiro, agigantado, que rebateu com o pé esquerdo mais que uma bola: rebateu um drama centenário. Místicos foram aqueles dois minutos em que foi possível sentir a temperatura de Belo Horizonte cair a um frio cadavérico para depois explodir em um calor irradiado do Horto.

Já passava da meia noite quando acabou uma das provações mais terríveis pela qual a torcida atleticana já passou.

E todo mundo sabe que, quando passa da meia noite, nasce um novo dia. E quando nasce um novo dia, o Galo canta. Pra mostrar que ainda está vivo e que manda no terreiro.

Em frente, Galo. Contra o vento.


A Revolta da Caxirola

“O Brasil não tem povo, tem público”.

Lima Barreto

Acho que todo brasileiro viu essa frase pela primeira vez em algum livro de história do colégio. Crítica explícita, a frase do escritor mostra que nosso país tem uma tendência quase genética em assistir passivamente o desenrolar dos fatos diante de seus olhos. Como se assistisse um grande jogo de futebol.

Pois bem. Talvez a gente não seja mesmo a melhor definição de “povo”. Mas até o jeito que somos “público” querem decidir por nós.

Eu espero que, nos livros de história do futuro, a frase de Lima Barreto continue lá, denunciando a relação do brasileiro com o estado republicano. Mas que, alguns capítulos à frente, o livro retrate também um episódio curioso, uma insurgência inusitada, um momento em que o povo brasileiro bateu o pé e disse “não”: a Revolta da Caxirola.

Ocorrida nos idos de 2013, a Revolta da Caxirola aconteceu porque, numa releitura dos despachos da época das Bandeiras e dominação portuguesa, forças políticas locais submissas aos interesses de forças políticas de além-mar quiseram impor ao povo-público brasileiro algo descabido. Um instrumento musical inventado à revelia e vendido (literalmente) para inglês ver (literalmente) como um patrimônio e uma tradição brasileira. Um chocalho de plástico, batizado, como tudo mais na Copa do Mundo que se aproximava, com um nome tosco, que disseram ao povo-público que era português mas que em nada se parecia com o português que o povo-público usava em sua vida.

E entregaram o maldito chocalho ao povo-público e disseram ao povo-público para fazer barulho com aquilo nos estádios. A ideia dos governos de além-mar era vender a Caxirola na época da Copa, por 30 reais, ao otário doméstico ou visitante que, como um índio que troca ouro por espelhinhos, caísse nessa.

Entretanto, o povo-público já estava combalido por outras coisas. Já havia sido ludibriado por promessas superfaturadas a respeito da própria Copa. Já estava farto de várias outras coisas que não o representavam virando símbolo a sua frente. E aí uma insurgência aconteceu. A Caxirola que deveria fazer barulho seria silenciada. Começou na Bahia, onde uma chuva de Caxirolas caiu sobre o gramado da Arena Itaipava (antiga Fonte Nova).

Com fé, a Revolta da Caxirola vai se espalhar pelo Brasil. Seu nome já demonstra seu potencial de entrar para os livros de história como o episódio em que o povo brasileiro, tão carente de símbolos, encontrou um que denunciava com perfeição o quanto tentavam fazer esse povo-público de otário.

Que os portadores de Caxirola, a partir de agora e até a Copa, sejam julgados e condenados pela sociedade brasileira e que o barulho desse chocalho maldito nunca seja capaz de suprimir o verdadeiro barulho de nosso povo-público nos estádios, nosso grito genuíno contra todos aqueles que acham que podem pensar pela gente:

“Ei, Galvão, vai tomar no cu!”