É hora de chamar outra marca para uma conversinha (ou sobre como minha curiosidade sempre me leva a fatos que me deixarão putos porque a vida – e o marketing de produto hiperbólicos – são uma grande parede de decepções pra quem leva a sério a própria imaginação)

Parte 1:

Eu não sou uma pessoa que tem problemas pra dormir. Assim: eu ronco quando estou bêbado, eu tenho episódios de paralisia do sono (que nem são tão frequentes mais) e vez ou outra eu acordo com uma dorzinha na nuca porque fico de pescoço torto assistindo Netflix na cama. Fora isso tudo sussa, oito horas de sono, difícil de acordar, segue o jogo.

Talvez por isso eu nunca tenha dado muita atenção a “produtos para o sono” tipo aquelas máscaras, colchões com molas ensacadas e almofadas de braço da imaginarium para adolescentes carentes. Porém um dia minha mãe chegou lá em casa com um TRAVESSEIRO DA NASA pra mim. Rapaz, como aquilo é bom.

Ele tem uma consistência que é a melhor definição para um SÓLIDO AMORFO: parece sólido, mas meio que se adapta à pressão que você faz nele. Não é nem muito baixo, nem muito alto. Também não é nem muito quente, nem muito frio, vai saber por qual tecnologia avançadíssima que a Nasa coloca nos seus travesseiros. Além disso dá pra dobrar, apoiar no canto da cama e/ou em várias posições não convencionais para usar o computador na cama, o que minimizou bem as minhas dores no pescoço.

Enfim, fiquei fã. Já estou no meu terceiro travesseiro da Nasa e já presenteei pessoas queridas com outros dois. Consumidor satisfeito e vida feliz. Até hoje.

Parte 2:

Eu gosto muito, muito mesmo de exploração do espaço sideral. Um dos meus maiores sonhos é sair da órbita algum dia, quero muito estar vivo quando fizermos contato com uma raça alienígena, o melhor filme que assisti ano passado foi Interstellar, eu demorei 2 meses e meio pra ler Uma Breve História do Tempo pelejando pra entender os conceitos de física e, nos últimos dias, gastei boas horas diárias acompanhando emocionado a New Horizon se aproximando de Plutão. Resumindo, eu gosto muito de exploração espacial.

Por isso hoje eu gastei um tempinho no site da Nasa lendo as últimas notícias, vendo uns vídeos legais e explorando a parte de curiosidades. E aí eu vi o link: “DORMINDO NO ESPAÇO”.

Parte 3:

No penúltimo texto que escrevi nesse blog, contei que sempre que tenho que me referir a alguma marca, chamo ela de Owaldo + “Nome da marca”. Acho que humaniza.

Pois bem, SENHOR OSWALDO ORTOBOM, depois de eu ter comprado QUATRO “TRAVESSEIROS DA NASA” aí na loja do senhor, eu gostaria que você me explicasse isso aqui:

Astronauta dormindo

Tô cansado de ser enganado.

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10 coisas que a maioria da população brasileira gosta mas que não necessariamente são boas pra você dar uma refletida sobre a maioridade penal

Assim, só comentando. Pra botar a mão na consciência mesmo e quem sabe se botar no lugar do outro e ver que assim, nem sempre a maioria tem razão. Sem pressão mesmo, de boa.

  • Flamengo
  • Catupiry na Pizza / Coxinha
  • Parar em paralelo com a pessoa que estiver te acompanhando na escada rolante pra ficar de conversinha bloqueando a passagem de quem porventura pode estar vindo atrás com mais pressa que você
  • Luciano Huck enquanto cara gente boa com consciência social
  • Grupo de família no whatsapp
  • Botar música da Anitta pra tocar em festa infantil
  • Amigo oculto de fim de ano
  • Ficar sem graça de cortar e acabar sendo simpático com estratégias de venda ativas tipo porta a porta ou telemarketing e acabar contribuindo para a difusão desses modelos que acabam enchendo o saco de todo mundo
  • Gritar UHUUUUU! quando se está levemente bêbado em festas e começa a tocar alguma música que geralmente toca na Jovem Pan
  • Votar em candidatos da sua corrente religiosa que se não fossem pelo fato de compartilhar o mesmo credo que você não teria o seu voto nem pra síndico pela completa inaptidão mas que você releva porque vocês rezam pra mesma pessoa

Não faz isso comigo, Mondelez

Poucas vezes na vida a gente consegue unir a chamada “qualidade e sofisticação” com uma sensação de custo benefício válido. Em tempos de crise então, isso é ainda mais difícil.

Talvez por isso, eu tenha ficado boladíssimo com o fato de não conseguir encontrar, nos últimos dois meses, um único estabelecimento que esteja comercializando a goma de mascar conhecida como Trident Global Connections.

Esse chicletes é tudo que um jovem adulto precisa em matéria de chicletes. Ele vem numa carteirinha semelhante a um maço de cigarros, que permite sacá-la rapidamente do bolso e o fácil manuseio das peças de chicletes (ótimo para bêbados), além de poder ser partida no meio, para deixar metade no bolso e metade na mesa do trabalho. Além de tudo, ela é bonitona, uma vibe meio modernosa e cosmopolita, cara de coisa cara, aquele tipo de produto que houve uma época em que a juventude chamaria de “estribado”.

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Aliás, por falar em “cara de caro”, um dos motivos pelos quais eu gosto muito de Trident Global Connections é o custo benefício. O preço a princípio assusta (flutua ali em torno dos cinco reais). Mas vem com VINTE chicletes dentro, dura mais de uma semana. O chicletes em si é bom também, o gosto dura, é refrescante, dá uma disfarçada na boca de almoço caso você precise correr pra uma reunião sem escovar os dentes e tudo mais. E ainda tem um de melancia que é quase uma sobremesa.

Isto posto, imagine a minha decepção quando eu parei de encontrar Trident Global Connections por aí. Eu gosto de personificar as marcas quando preciso conversar com elas, como se o nome da marca fosse seu sobrenome e seu nome fosse Osvaldo. Então vem cá, senhor Osvaldo Mondelez, precisamos conversar.

Osvaldo, eu não sei se é um problema de produção, se ele saiu de linha ou se é uma questão de logística ou ainda uma picuinha qualquer com o comércio de Belo Horizonte, mas sério cara, não faz isso comigo. O país nessa crise e eu tendo que comprar Trident de canela. Não que ele seja ruim, eu gosto muito. Mas ele dura muito pouco e não é a mesma coisa: o chiclete é menor, a embalagem é uma marmota e eu perco várias nos bolsos da vida… e não tem tanta graça de oferecer pras novinhas sem aquela embalagem estribada (fora que vem só oito cinco!, bate meio um egoísmo de dividir). Volta com o Trident Global Connections aí cara, por favor. Não precisa nem ser todos, pode ser só o azulzinho e uma vez ou outra o do Rio de Janeiro.

E já que estamos tendo a oportunidade de conversar, Osvaldo, se não for pedir muito, acho que já passou da hora de trazer aqueles Oreos diferentinhos pro Brasil. Quebra o galho aí, a gente tá precisando de umas pequenas alegrias cotidianas.

Mas o mais importante é fazer ter Trident Global Connections de novo no mercado. Pelo menos nas Lojas Americanas.

Abração.