Sommelier de protesto

De tempos em tempos surge uma expressão pra ajudar aqueles que estão muito indignados “com tudo isso que está aí” a se expressar, sem precisar aprofundar muito nos argumentos. Geralmente ela tem uma sacadinha humorística, é fácil de entender e explicar e privilegia o desmerecimento do argumento do outro ao invés de construir um argumento próprio.

Esse tipo de expressão geralmente nasce no twitter, é potencializado por formadores de opinião de intelectualidade e riqueza argumentativas ímpares (Constantino, Gentili, entre outros), ganham o facebook com toda força e por fim começam a fazer parte da retórica dos seus tios nos almoços de domingo.

A mais nova delas é o Sommelier de Protesto, definido como a pessoa que tenta analisar um protesto dizendo o que pode e não pode como forma de desqualificar os grupos ali protestando.

Eu entendo menos de vinho do que entendo de política, e em protestos sou a favor desde o panelaço na janela ao vandalismo. Porém vendo algumas situações nesse 15 de Março me sinto compelido a dar três dicas de HARMONIZAÇÃO pro pessoal não perder a classe, cometer gafes na escolha e ser motivo de chacota.

Gênia

1- Se você vai chamar um eleitor de outro candidato de burro, tome cuidado pra não cometer deslizes no vocabulário: intenção não se escreve com S.

2- Se você é um deputado estadual no terceiro mandato consecutivo, você não é “um manifestante que trouxe a família pra protestar contra a ineficiência do governo”. Você É o governo.

3- Se você vai cantar Geraldo Vandré, não esteja com um cartaz pedindo a intervenção militar.

Todos casos verídicos, com personagens devidamente omitidos pra não desqualificar a manifestação como um todo e sua indignação nada seletiva.

Alguém aceita um vinho com coxinha?

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