Pra nossa sorte Darwin nunca comeu no McDonald’s

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*Pode ficar calmo leitor gordinho, esse texto não é sobre obesidade

O primeiro McDonald’s surgiu no planeta aproximadamente sessenta anos depois de Charles Darwin tragar seus últimos suspiros de oxigênio nessa mesma bola azul. Não creio que essas duas histórias se cruzem de maneira mais relevante do que o fato de Darwin ter frequentado a Universidade de Edimburgo e a cadeia de lanchonete se chamar McDonald’s. O que pra mim é uma sorte.

Às vezes eu vou comer no McDonald’s e fico imaginando Darwin entrando ali pra fazer um lanche. Esse evento absolutamente banal, se tivesse ocorrido, poderia dar início a um dos maiores efeitos borboletas já presenciados na história.

Imagine chega lá o velho Darwin, numa pausa em suas observações, e se coloca na fila para pedir uma promoção do Big Mac. Darwin ficaria fascinado com a capacidade evolutiva do ser humano de inventar um método de alimentação que se adeque à velocidade com que o cotidiano acontece (vamos considerar aqui que neste dia Darwin não encontrou nenhum daqueles símios menos evoluídos que deixam pra decidir o lanche na frente do caixa, como se qualquer ser humano parido a partir da década de 80 já não nascesse com a característica adquirida de saber o cardápio do McDonal’s de cor e salteado).

Pois bem: Darwin pega seu lanchinho e vai se sentar. Entre uma mordida e outra, sente vontade de colocar um pouco de ketchup em suas batatas – música de tensão em crescente: é aqui que o bicho pega. Darwin pega o saquinho e delicadamente pinça uma de suas extremidades (indicada para tal) entre o polegar e o indicador e, com as duas mãos, começa um leve movimento de vai-e-vem.

Uma vez.

Duas vezes.

Três vezes.

(aqui a embalagem começa a ficar muito engordurada, dificultando o processo).

Quatro vezes.

Cinco vezes.

Seis vezes.

Sete vezes.

Instintivamente e sem paciência, Darwin desiste do processo e rapidamente leva a embalagem à boca, rasgando-lhe a ponta entre os dentes.

E ali, naquele breve instante em que os caninos de Darwin se encontram entre a embalagem de ketchup do McDonald’s ele se dá conta da inutilidade de seus polegares opositores. Ele percebe que o próprio homem criou uma embalagem que, desprezando um de nossos traços evolutivos mais diferenciados – os polegares opositores – foi feita pra ser rasgada entre os dentes como se fossemos bestas quadrúpedes. Ele percebe que não estamos evoluindo, estamos retrocedendo. Ele volta pra casa e queima seus diários e observações que um dia dariam origem à Teoria da Evolução e por consequência hoje somos todos criacionistas. Tudo porque o McDonald’s é incapaz de fazer uma embalagem decente para os seus condimentos.

Porra, McDonald’s!

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