Anatomia de uma brochada

Um tema recorrente para histórias épicas na cultura universal é o momento em que um menino se torna um homem. O turning point mais famoso de toda história de herói, de galã e da publicidade em geral. Esse momento já foi definido de várias formas: o momento em que se beija uma garota pela primeira vez. O momento em que se entra na universidade. O momento em que se compra o primeiro carro. O momento em que se perde a virgindade. O momento em que se toma a primeira cerveja. O momento em que um ladrão das ruas assassina seus pais milionários na saída de um teatro, e por aí vai.

Infelizmente nenhum destes momentos corresponde à realidade.

O momento em que você se torna um homem é o momento em que, no que se refere ao sexo, deixa de acreditar que a pior coisa que pode falhar é a pílula anticoncepcional. Porque definitivamente não é.

Eita lelê.

Eita lelê.

E aí meu amigo, não existe cultura universal pra te falar que isso é normal e acontece ou qualquer outra tentativa de banalizar o fato, porque nada, nadinha de nada, te prepara para o momento que acontece. E é isto que este texto tenta fazer: te preparar para o momento que isso acontecer com você , analisando fase a fase da anatomia de uma brochada.

Fase 1 – A ilusão

A fase da ilusão nem deveria ser chamada de fase porque ela não necessariamente acontece em um momento específico, mas sim pode acontecer mais de uma vez, em situações adversas, durante toda a sua vida sexual pré-brochada. E a ilusão é a prova máxima de que seu deus existe ele criou a gente só pra dar uma zuada. Por que? Porque algumas vezes na sua vida pré-brochada você vai acreditar que brochou. Tipo aquele dia que você tava bêbadasso. Aquele dia que rolou uma joelhada no lugar errado e atordoou a ferramenta. Aquele dia que rolava uma sensação de perigo na escada do prédio e a coisa demorou a engrenar. Nananão. Essas são todas armadilhas do tinhoso pra te convencer de que a coisa já falhou com você, mas que você conseguiu se recuperar (mesmo porque isso durou minutos, apenas). O que só serve para tornar mais dramático o momento da fase 2, a hora da brochada em si, doravante conhecida pelos anais da medicina como…

Fase 2 – A Síndrome de Scolari

A Síndrome de Scolari é o primeiro sintoma de que algo muito errado está acontecendo, e é uma fase que envolve, em linhas gerais, a negação. Isso porque você quer acreditar, com todas as suas forças, que foi apenas um apagão de seis minutos. Mas lá no fundo você sabe que não foi só isso e que a Seleção simplesmente não entrou em campo. E aí você ainda tem aquela vã esperança de que alguma troca de posição vá resolver, de que um aquecimento bem feito vai fazer diferença ou até mesmo de que o pequeno Bernard vá milagrosamente resolver a parada sozinho. Amigão: não vai. E é quando você se dá conta disso que começa a fase 3, doravante conhecida como…

Fase 3 – O Terror

É isso mesmo. Tal qual na Revolução Francesa, na brochada existe uma fase do terror, que é exatamente igual: é a fase em que a única cabeça da nação que não poderia cair, cai. No caso da França, a cabeça era a do Robespierre. No seu caso… deu pra entender a metáfora. E como todo terror muda o mundo pra quem o vivencia, chegamos à fase 4:

Fase 4 – O 11 de Setembro

Você está chocado. Está triste. Está com medo. Está vulnerável. Está (literalmente) com as calças na mão. Mas não é por isso que a Fase 4 é chamada de 11 de Setembro. É simplesmente porque neste momento a única coisa que você deseja é que aconteça um evento de proporções gigantescas que ocupe toda a atenção do mundo. Que seja o único assunto que as pessoas comentem durante semanas (principalmente a pessoa que estiver com você na hora do fatídico acontecimento). Mas outro 11 de Setembro não acontece, e é hora de seguir com a vida. O que nos leva à fase 5:

Fase 5: A paranóia

Após o evento traumático em si, você vai dormir. Sabendo que no dia seguinte acordará em uma nova vida. É hora de encarar o medo de que toda a sua libido tenha ido embora para sempre e que esse jovem galã mineiro, tão chegado num festinha, tal qual Aécio Neves nas pesquisas, nunca mais irá subir. E é nesta fase que a irracionalidade e a racionalidade começam a travar discussões ferrenhas em sua mente durante todo o dia, como por exemplo:

[07:50 am]

Irracionalidade: – Caralho bicho, não tô sentindo o menor tesão.

Racionalidade: – AINDA BEM SEU DOENTE, AFINAL DE CONTAS VOCÊ TÁ EM PÉ NO ÔNIBUS LOTADO!

[15:45]

Irracionalidade: – Putz, nem sinal de que esse negócio vá subir.

Racionalidade: – Sério seu pervertido, apenas pare. Só acabe essa reunião e vá pra casa então já que isso te incomoda tanto.

No fim, a racionalidade prevalece. Você se acalma, segue com a vida, conversa com pessoas, procura médicos e começa a encarar este problema como qualquer problema que não te mata: espera que ele te fortaleça. E é neste momento que começa o resto da sua vida, também conhecida como a última fase.

Fase 6 – O Woody Allen

Depois dessa jornada de autoconhecimento a respeito de sua própria virilidade, você vai ficar mais sensível, meu chapa. Mas não é a sensibilidade recém adquirida que caracteriza a Fase Woody Allen: é a conclusão que o sexo às vezes vai se transformar numa grande piada sem graça. E que usar isso em um roteiro aonde você precisa pensar demais sobre o assunto só vai piorar o problema.

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O princípio de Marcelo Camelo

Eu tenho uma certa resistência com o Marcelo Camelo.

Veja bem, acho ele um cara talentoso, mas que não aproveita totalmente suas próprias potencialidades. Algo no seu comportamento, principalmente em entrevistas, me faz nutrir uma certa antipatia pela pessoa. Esse ar blasê de quem sabe mais que o entrevistador, combinado com a barba esgruvinhada de poeta me dá muita preguiça.

Preguiça a ponto de eu pensar: “caramba, ia ser massa se algum dia alguém desse uns sopapos nesse Marcelo Camelo pra ele endireitar as ideias”.

O problema é que, no dia que surgiu a oportunidade de dar uns sopapos no Marcelo Camelo, quem fez isso foi ninguém mais ninguém menos que Chorão, a pessoa mais contraindicada a dar uns sopapos em alguém pra endireitar as ideias. A ponto de eu pensar: “caralho, o Chorão tem tão pouca moral pra fazer isso que eu até arrependo de ter desejado que o Marcelo Camelo tomasse uns sopapos.”

Este texto é uma metáfora.
Marcelo Camelo é o Brasil, os desejos de sopapos são os desejos de mudança e o Chorão é a Marina Silva.

Na hora de votar, lembre-se do Princípio de Marcelo Camelo.