Ontem eu achei que ia discutir com um petista no twitter

Mas ele não voltou.

 

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Peruanos Arianos

Ontem, cidadãos de um país da América Bolivariana deram uma péssima demonstração de ignorância imitando macacos toda vez que um jogador negro tocava na bola. A pior manifestação de racismo possível.

Sim, mimiminoria leitora: nem todo racismo é igual. Como nem toda homofobia e nem todo machismo. Se assumirmos que todas essas formas de violência vem sempre na mesma intensidade, assumimos também que nossa resposta deve ser sempre a mesma, e não deve. As vezes vale mais a pena educar. As vezes vale mais a pena reprimir. As vezes vale mais a pena punir. Difícil de engolir?

Quem disse que reverter ignorância é fácil?

Ontem, cidadãos de um país da América Bolivariana deram uma péssima demonstração de ignorância imitando macacos toda vez que um jogador negro tocava na bola. Hoje, várias pessoas se manifestam repudiando o ato. Dizendo que racismo é racismo. Não importa se vindo do Peru, da Nigéria ou da Noruega. Ora, importa sim e importa muito. Ver cidadãos de um país sul americano de origem indígena (e portanto sofredor de inúmeras mazelas colonialistas), que possui uma parcela significativíssima de emigrantes sofrendo xenofobia em diversas partes do mundo dando uma demonstração ridícula de ofensa e exposição de um ser humano é de um simbolismo enorme.  Enorme porque quebra uma lógica que não deveria estar mais vigente em 2014: a da desigualdade pela lógica de oprimidos e opressores. Ou vai me dizer que aquela parcela de peruanos imitando macacos são inatos opressores?

Todos somos oprimidos e todos somos opressores. Depende da máscara que trocamos durante o dia. Quando um sul americano imita um macaco, ele demonstra que não importa o passado, não importa o sofrimento, não importa a compaixão: importa o “nós” diferente do “eles” no agora.

Obrigado, peruanos, por ajudar a desconstruir essa ilusão de oprimidos e opressores. Essa lógica só serve para licença poética. Pra chamar violência de “revolta”. Pra justificar que a base da pirâmide execute pessoas em roubos cada vez mais violentos, que o meio da pirâmide amarre pessoas em postes e que o topo da pirâmide proponha “leis antiterrorismo”.

Não exclua quem compartilha vídeo da Sheherazade do Facebook. Ou quem zoa o outro torcedor com piadas homofóbicas. Não levante o muro entre o “nós e o “eles”. Debata, explique, entenda. Engula seco, levante, tome uma água. Escreva, apague, repense. Aproveite o fato de que não dá pra socar ninguém pela internet e aproxime as diferenças. Não saia de campo e vire o jogo.

Sou Galo e tô #FechadoComOTinga porque as vezes é preciso abrir mão do que se acredita cegamente pra tornar o mundo mais tolerante e tolerável.