Sobre o Lulu

Somos um país de  técnicos de futebol, juristas, secretários de segurança pública e especialistas em acidentes aéreos. Profundamente entendidos de quaisquer que sejam os assuntos em voga no momento.

Isso, naturalmente, faz de nós também especialistas em julgamentos hipócritas.

Somos mestres em pegar o indivíduo e analisar suas características, qualidades ou defeitos a partir do nosso olhar (nem sempre qualificado para tanto) e tentar encaixá-lo em um grupo, ou simplesmente expô-lo ao ridículo.

E é justamente isso que o Lulu faz.

De maneira arrogante, prepotente e sem realmente conhecer os indivíduos ali analisados, o Lulu expõe as pessoas. Expõe os homens e expõe as mulheres, porque no fim das contas o julgamento final é feito pela sociedade, apenas para atender nosso desejo latente de voyeurismo e de achar que temos controle sobre o outro.

Alguns podem até pensar que esse tipo de exposição pode ter algum caráter benéfico, mas a possibilidade do sucesso vir graças aos julgamentos do Lulu são ínfimos.

Se é machista, feminista ou simplesmente alheio a este tipo de discussão não sei, mas o Lulu representa a sociedade em seu pequeno poder. Julgando e expondo o outro a partir de suas próprias percepções. Percepções essas que eu também não sei classificar com machistas ou feministas, mas que no caso do Lulu se vê claramente que estão presas a uma estética oitentista que deveria ter ficado nos anos 80.

Sinceramente, não sei como colocaram esse cara pra ser jurado do The Voice. Mas observando os outros jurados: Cláudia Leitte, Carlinhos Brown e Daniel, novamente somos obrigados a perceber que nossa sociedade tem um problema seríssimo com os padrões de julgamento.

Cês tão é louco que vou entrar em discussão sobre esse app. Contra chatos não há argumentos.

Anúncios