Do not start up. Start right.

O governo federal vai lançar nessa quinta feira um programa chamado “Start-up Brasil”, que visa fomentar, com a injeção de dinheiro e outros tipos de apoio público, empresas iniciantes que possuam projetos de base tecnológica. De acordo com estudo do Instituto Inovação para o Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação, foram criadas no Brasil em 2012 cerca de de 2 mil novas empresas. Segundo um técnico que participou da formulação do novo programa, esse ritmo de crescimento só será sustentado, a partir de agora, com estímulos públicos. Outro dado interessante, divulgado em reportagem da Exame, conta que existe uma previsão por parte do programa prevendo que até 25% das companhias que serão estimuladas sejam estrangeiras com projetos no País.

Soy contra. O próprio nome do negócio, “Start-up Brasil”, em inglês, já evidencia a nossa falta de intimidade com o negócio. Na minha opinião, apesar dos avanços, a gestão brasileira (pública e privada) ainda bate muita cabeça. Dona Dilma parece conduzir essa imponente diligência chamada Brasil apontando os cavalos cada um para um lado.

O novo programa visa aproximar as companhias das universidades e institutos federais. Louvável. Mas mais louvável ainda seria se eu, quando fui aluno de uma instituição federal, tivesse conseguido sair de algum de meus três estágios com a documentação que deveria ser trocada entre universidade e empresa em ordem. Documentação básica, que se perdeu, nos três casos, pelo excesso de burocracia e falta de diálogo entre academia e mercado. O que quero dizer é: não estamos fazendo o básico direito, e já estamos querendo fazer o difícil.

Na parte que compete ao governo, a contradição: ao mesmo tempo que sucateia as universidades, facilita o acesso pelos meios errados (baixando o nível de exigência ao nível do conhecimento e não aumentando o nível de conhecimento ao nível de exigência), deixando que cada buteco tenha uma faculdade funcionando nos fundos, recorta o ensino ao nível mais técnico possível, etc etc, faz coisas como um programa de estímulo a startups. Uai, tá faltando alguma coisa aí no meio. Queremos formar e estimular empreendedores tornando o ensino cada vez mais capenga?

Na parte que compete à gestão privada: startups pelo visto são a moda de 2013. Palavras como “inovação”, “empreendedorismo” e “colaboração” estão presentes nos discursos de empresas com as práticas mais antiquadas da paróquia. Querem um profissional que saia da faculdade pronto, multifacetado e barato. Estagiários são tratados ou como uma subcategoria de assistente ou como mascotes das empresas, parece hora do recreio. Resolver problemas do dia a dia parece fora de cogitação, estamos todos muito ocupados pensando em como seremos o novo escritório do Google.

Todos querem avançar, mas todos querem ir no colo. O importante é inovar. Vontade o Brasil inteiro tem, o que não tem é senso crítico. No primeiro parágrafo a reportagem da Exame conta que a criação anual de mais de duas mil empresas não é sustentável sem o aporte público. Ora, que não seja então. Criar empresas é muito mais que ter o conhecimento técnico. É ter conhecimentos gerenciais, éticos, sociológicos que as universidades vêm constantemente suprimindo. É pastar para aprender marketing e lidar com a falta de verba (que o “Start-up Brasil” vai bancar. Os dois.). Passou da hora de pararmos, todos, de evitar os problemas básicos e criar demandas novas porque elas são mais glamurosas. Passou da hora de pararmos de tomar anabolizantes públicos e achar que o governo está aí pra bancar os erros no processo.

Quem precisa de inovação constante são os mercados maduros. Mercados imaturos precisam é de disciplina, em todos os sentidos da palavra. Que o Brasil cresça de acordo com suas capacidades e seus méritos. Encarando seus problemas e não tentando desviar deles. Senão quem vai ter que, lá na frente, pagar a conta desse obeso anabolizado, flácido e sem virilidade sou eu, e eu não tô afim.

Start-up Brasil”… humpf. De boas intenções esse blog, o Brasil e o inferno estão cheios.

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Dudu Indelicado

Você que está aí sentado confortavelmente na frente do computador compartilhando #foto #de #tacinha #de #champa no face não consegue perceber, mas uma guerra está prestes a começar bem debaixo do seu nariz, seu alienado.

Em breve a turma do BBB vai pedir a reintegração de posse dessa timeline e vai encontrar um monte de índios Guaranis Kaiowas acampados por aqui. Eles querem transformar a área em uma reserva para cães abandonados. A polícia será chamada e irá restaurar a ordem separando a bagunça: metade pro lado dos machistas e a outra pro lado dos racistas. A polícia do politicamente correto não dá mole. Por sorte tem gente rezando pela segurança da família brasileira. A própria Maria mãe de deus vai dar o ar da graça pra apaziguar a timeline. 36 vezes por dia.

Mas a grande maioria do povo brasileiro não vai nem ver o que está acontecendo, porque desligou o computador e foi ler um livro…. epa, nada disso! De acordo com a mídia golpista a grande verdade é que a galera não prestou atenção porque estava tentando ver um vídeo inacreditável em que uma menina de 17 anos faz estripulias na escola. Por sorte o Alexandre Garcia apareceu pra dizer que era vírus antes de ser tirado do ar e demitido da Rede Globo. O vírus era culpa do Lula, mas isso ninguém comenta! Se fosse futebol todo mundo comentava!

Os únicos que não acreditaram no vídeo foram os ateus, porque eles não acreditam em na-da. Aliás, de tão superiores, foram embora na garupa do quadriciclo do Zeca Pagodinho. Só deixaram uma enquete sobre esse texto pra trás:

Se você acha que a Fani vai ganhar o BBB, curta.

Se você acha que filho de político tem que estudar em escola pública, compartilhe.

Se ESTA PESSOA NÃO SE SENTIU OFENDIDA PELOS ESTEREÓTIPOS APRESENTADOS NO TEXTO, COLE ISSO NO SEU MURAL.

Se você se sentiu ofendido pelos estereótipos apresentados no texto, não se preocupe: as cinco primeiras pessoas que comentarem enchendo meu saco, em algum momento do ano, serão mandadas pro inferno. Talvez eu mande pessoalmente, talvez por email…