O idiota que dá nome pras coisas

Sabe o nome dos mascotes da Copa? Sabe aquele pedaço de terra que chama “gleba”? Sabe a tradução de billboard que “em português” é outdoor? Sabe “Se beber, não case 3” que não vai ter nada a ver com casamento e mesmo assim vai ter esse nome? Então.

Eu gosto de pensar que é uma mesma pessoa que dá nome pra essas coisas todas, porque eu preciso personificar o meu ódio e viver com a esperança de dar um murro no peito dela. Sério, tem alguns substantivos nesse país que me tiram do sério, e hoje eu quero falar de um que qualquer dia desses vai me causar um infarto do miocárdio:

“Taxa de conveniência”.

Contextualizando: fui comprar um ingresso pro Lollapalooza ontem e fatalmente tive que pagar a tal taxa de conveniência. Ok, até aí vivemos numa sociedade baseada no lucro e se eu aceitei ser voluntariamente extorquido beleza, vamos lá. O festival vai ser foda e eu nem vou lembrar disso. Mas o que me incomoda é a ironia jocosa do negócio chamar taxa de conveniência.

Me explica pra qual cidadão brasileiro que está prestes a gastar mais de um salário mínimo em ingressos pra show é “conveniente” ficar acordado numa madrugada de segunda pra terça feira, pegar uma “fila online” (FILA ONLINE eu não vou nem comentar que é pra não quebrar o computador), ficar refém de colocar seus dados de cartão de crédito em um servidor completamente instável e pagar na tal taxa um preço que é quase o mesmo de pegar um avião pra São Paulo, depois um ônibus e comprar a porra do ingresso na bilheteria do Jockey Clube?! É muita ironia.

E se você é daqueles que acha que tá tudo certo e quem pagou “pagou porque quis” como se houvessem infinitas possibilidades de fugir desses truques do capitalismo sem um esforço coletivo, eu espero que o idiota que dá nome pras coisas seja o escrivão do cartório onde você vai registrar seu filho.

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Quadrilha

Quadrilha

Aécio amava Márcio que amava Pimentel
Que era do partido de Roberto que era o mesmo de Patrus
Que era ministro do Lula que não sabia de nada.

Aécio foi pro Rio de Janeiro, Pimentel foi dar palestra,
Roberto foi um desastre. Patrus tem ação e coração
mas não tem poder de reação. E Márcio casou-se com Délio Malheiros
que estava o tempo todo do outro lado da história.

 

 

*Nota do autor: poema inspirado pela obra homônima de Carlos Drummond de Andrade e dedicado a todos os cidadãos conscientes que passam o dia tentando nos fazer enxergar a roupa nova do rei no facebook.

*Nota do autor II: esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações terá sido mera coincidência.

*Nota do autor III: notificações judiciais só serão aceitas se enviadas através de emissário cujo meio de transporte seja o futuro metrô Savassi/Pampulha, cujas obras já estão em avançado estágio de sondagem. Na Praça Sete.