Se essa Copa fosse minha

Eu não sei quem são as pessoas que criam os nomes das “coisas” da Copa não, mas imagino um processo criativo mais ou menos assim:

– Opa, chegou aqui um pedido pra gente criar nomes pras “coisas” da Copa. Primeiro a Bola: tem que ser um nome brasileiro, que represente com perfeição um objeto esférico…

– André Marques.

– Não não. Calma. Não pode ser assim também, tão diretão. Vamos pensar… o que a bola representa. Pra começar, uma coisa que todo mundo gosta…

– Pão de queijo!

– Nah. Muito fraco. Só ia pegar em Minas. Baiano ia preferir acarajé, carioca ia preferir biscoito Globo, Gaúcho ia preferir linguiça… e já viu aquele negócio que paulista come pagando cinco reais e chama de Pão de Queijo?! Desperta até raiva na gente.

– Sim, mas isso a bola também representa né… quando o time joga mal e parece que a bola não quer entrar de jeito nenhum, mata a gente de raiva.

– Pode ter um caminho aí hein? Vamos personificar. Eu sou a bola. Sou redonda, tenho que ser o centro das atenções, desperto sentimentos dúbios nas pess…

– Geise Arruda.

– Boa. Mas acho que não pode ser nome de pessoa assim não né… tem que ser mais genérico.
– Geise Arruda me lembra canhão.

– Tem que ser mais moderno.

– Bazuca.

– Perfeito! Vou mandar pro pessoal do comitê organizador.

[15 minutos depois]

– Ó, acabei de falar no telefone com o pessoal aqui. Diz que no Rio o pessoal amou bazuca, falaram que lembra a cidade e tudo mais… mas parece que na hora do atendimento deles lá mandar pros patrocinadores rolou um erro de digitação, claro né, e ela mandou “Brazuca”. Enfim, eles gostaram e parece que vai ficar esse mesmo.

– Brazuca… brazuca… é, até que não ficou ruim. Tá vendo, atendimento também acerta, de vez em quando!

– Verdade, verdade. Vamos esticar pro bar? A gente continua pensando o mascote lá.

[No bar]

– Opa, pode começar a descer cerveja aí, chefe!

– Vamos lá pessoal: sugestão de mascotes pra Copa. Tem que ser algo que represente o Brasil… seria legal ter uma pegada de ecologia e tudo mais… mas vamos tentar fugir do clichê.

– Hum… que tal uma anta?

– Parece que eles já estão cotando o Latino pra cantar na abertura, então vai ficar meio repetitvo o mascote também ser uma anta. Parece que ele está preparando uma versão contemporânea de “Garota de Ipanema” que vai chamar “Seio à mostra no Leblon”… Enfim, melhor pensar em outra coisa.

– Bom, podemos fazer uma coisa com um cunho político, mas irreverente também né… mostrar  nossa “diversidade”, com duplo sentido e tudo mais… que tal um veado campeiro?

– Putz, acho essa ideia foda, mas parece que vão apresentar o mascote no Fantástico e esse negócio de veado é meio tabu por lá.

– Tô vendo que esse negócio de focar na fauna não tá rolando… vamos expandir um pouco o universo. Vamos pensar em coisas que estão na moda.

– Já sei: um Camarinho amarelo chamado Tchutchatchá. Ia fazer o maior sucesso com a criançada e com jovens do sexo masculino que fazem engenharia em faculdade particular.

– Será? Esse negócio de ser um Camaro pode dar problema com patrocinador né… e sei lá, acho que Camaro não é um negócio com o qual a população em geral se identifica.

– Beleza então: um ônibus chamado Lotadinho. Todo brasileiro ia se identificar.

– Verdade. Mas parece que com esses escândalos na política o PMDB resolveu mudar seu apoio de novo… só que o negócio já está tão cagado que só sobrou o Levy Fidélix pra apoiar, então corre um sério risco de ser aprovado um projeto de aerotrem pra levar a galera pros estádios na Copa… já viu a merda que ia ser pros lobistas se o mascote fosse um coletivo?

[Algumas (muitas) cervejas depois]

– Porra, que foda isso. Beleza então: Dilminha, a onça pintada.

– Eita, voltamos pros animais. Se vamos sugerir Dilminha, a onça, temos que sugerir também, Delta, o tucano.

– Melhor ser apartidário. Vamos juntar essas duas ideias aí e sugerir Vossa Excelência, a cascavel ou Eleitor, a mula sem cabeça.

– Não, não, não. Tá ficando subjetivo demais. Está fugindo muito da referência ao futebol. Vamos ser mais diretos.

– Ótimo. Então que tal um tatu bola?

– Boa ideia! Tudo a ver com futebol. Agora precisamos de sugestões de nome. Vamos ver… o Tatu vive enterrado, é super difícil de encontrar…

– Samúdio, o Tatu Bola.

– Boa. Precisamos de mais dois. Além disso o Tatu é o único animal capaz de se enrolar, e é um bichinho tranquilão.

– Beck, o tatu bola.

– Boa… transmite uma paz né? Só tenho medo da galera esquecer o nome.

– Beleza, falta um. Vamos dar uma pesquisada aqui… ó, diz que o Tatu tem grande presença no centro oeste brasileiro e é uma das espécies mais antigas da nossa fauna.

– Perfeito: Niemeyer, o tatu bola.

– Fechou! Então temos Samúdio, Beck e Niemeyer. Vou mandar pro pessoal. Vai ser sucesso a apresentação domingo!

[Na segunda feira seguinte…]

– E aí, como foi? A galera curtiu os nomes?

– Cara, você não acredita a merda que deu: a galera tinha adorado os nomes, tava tudo pronto pra anunciar ao público… mas parece que bem na hora de falar o Zeca Camargo teve um princípio de AVC e o estagiário que estava registrando os nomes pro povo votar não percebeu… e registrou os barulhos que ele tava fazendo por causa do AVC.

– Caramba, que loucura! E aí?!

– Bom.. aí que as três opções ficaram: Amijubi, Fuleco e Zuzeco.

– Não acredito! Que bosta!

– Ah, tenta pensar pelo lado positivo… pelo menos são nomes que tem cara de uma coisa bem brasileira.

– Ah, é? Cara de quê?

– Cara de gambiarra.

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A Conspiração das Gruas

O atual momento de pujança econômica brasileiro faz com que alguns setores da economia experimentem uma fase positiva nunca antes vista na história desse país, como diria o nosso presidente que não sabia de nada, mas sabia usar jargões como ninguém. Um dos setores mais aquecidos nesse cenário é o da construção civil, principalmente nas grandes cidades brasileiras, em especial as que vão receber os grandes eventos esportivos dos próximos anos.

E é na construção civil que reside um dos maiores mistérios da sociedade urbana moderna: as gruas.

Majestosas no alto dos prédios em construção e obras de grande porte, as gruas se tornaram parte da paisagem nas cidades brasileiras que caminham rumo ao progresso. Porém, não é essa parte da história das gruas que chama atenção. Assim como as pirâmides do Egito, as gruas são ferramentas de uma tecnologia alienígena ainda desconhecida pelo homem. Elas surgem de uma compressão no contínuo espaço/tempo, realizam sua função nas construções humanas e depois desaparecem. Um dia elas estão lá, no outro não estão mais.

O que me preocupa é não saber qual a intenção dos alienígenas ao empregar esse tipo de tecnologia na Terra.

Você pode achar essa uma teoria absurda. Tudo bem. Mas te desafio a lembrar quando foi a última vez que você viu uma grua sendo montada. Ou desmontada. Ou transportada. Isso mesmo. Ninguém nunca viu.

Eles estão entre nós.