Quem Vigia os Vigilantes?

Abro o twitter nesse fim de domingo e vejo vários links pra uma reportagem da Folha que conta que Rafinha Bastos não estará na bancada do CQC na noite de amanhã. Tudo por causa de uma piada que não destoa em nada das que ele costuma fazer já tem tempos, mas dessa vez a piada ofendeu amigos que têm amigos.

Obviamente, alguém passou a mão no telefone e ligou pros chefes de Rafinha, cobrando uma providência, e eis que ele tomou uma suspensão do programa (até o momento).

Tive a oportunidade de ver Rafinha na TV e no teatro. Na TV a graça passou rápido, à medida que o CQC ia fazendo sucesso, e o humorista foi ganhando espaço e confiança até se tornar grosseiro, arrogante e desrespeitoso. No teatro, gostei de seu espetáculo. Ri de muitas piadas, algumas das quais penso que não acharia tanta graça se ditas na TV por destoarem do “ambiente”.

Quando as piadas de Rafinha (ou qualquer outro) me ofenderam de alguma maneira, xinguei muito no twitter, chamei-os de babaca e clamei por censura. Não satisfeito, eu FIZ a censura: mudei de canal. Desliguei a TV. Dei unfollow no twitter. Não comprei ingressos para seus espetáculos. Ninguém precisa de ninguém censurando que tipo de informação consome em pleno 2011. Os instrumentos de censura estão todos aí à mão, para serem usados com sabedoria.

Mas esse parece não ser o pensamento da maioria dos brasileiros e nem da direção da Band, que resolveu punir seu empregado pela colocação infeliz. Todos sabemos da pressão que a emissora deve ter sofrido para tomar tal atitude, mas tomando essa atitute creio que a emissora cometeu um erro conceitual: implodiu seu programa de maior sucesso.

Obviamente, o CQC vai continuar, vai ter audiência, vai ter anunciantes. Mas acho que Marcelo Tas e sua turma (e a própria Band) vão sentir um pouquinho de vergonha cada vez que lembrarem, com ironia, que o nome do programa é CUSTE O QUE CUSTAR.

(o título desse post é uma referência à graphic novel Watchmen, que, apesar de escrita em outra época e outro contexto, diz muito sobre o nosso tempo).

 

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