Cada um com seus problemas

Acordou, como sempre, às 5 e meia da manhã. Tomou um banho frio porque o aquecedor solar ainda não estava funcionando. Não teve tempo de tomar café. Não comprou jornal porque não tinha moedas.

Depois de 40 minutos, conseguiu pegar o ônibus (lotado). Se espremeu entre uma gorda e um rapaz de dread locks. Entre os braços erguidos, conseguia ver um pedacinho da janela.

Ficou parado por 25 minutos no mesmo lugar, em um engarrafamento. Nesse tempo, observou um mendigo que dormia num pedaço imundo do passeio, embaixo da marquise. Pensou: “coitado, que existência medíocre”.

O mendigo acordou, sentou-se, deu aquela espreguiçada longa e um bocejo. Olhou para o ônibus, viu o rapaz que o observava. Sorriu. E em seguida gritou:

“- SE FUDEU, TÁ ATRASADO!”

E deitou-se novamente, rindo.

Cada um com seus problemas.

(inspirado em fatos reais).

 

Anúncios

Filhotes de Pecê Siqueira

Puta merda, alguém me explica por qual razão o Pecê Siqueira faz tanto sucesso? Não e nem uma questão de ser engraçado ou não (esse critério é muito subjetivo, afinal, Zorra Total está no ar tem quanto tempo mesmo?), mas o que incomoda é a falta de conteúdo pura e simples.

A internet deu voz e opinião às pessoas. O problema é que dá muito mais voz que opinião. Sinceramente: O QUE aquele cara fala que faz tanto sentido assim? E por falar em fazer ou não sentido, já assistiu o quadro do Felipe Neto na Tevê? Pois assista. É de doer os rins de vergonha alheia. O cara virou uma caricatura dos falsos ídolos que ele tanto critica (o que é difícil de distinguir, afinal ele critica tudo).

Mas isso só acontece porque tem gente pra bater palma. É um povo tão emburrecido que basta um cara com tempo ocioso de sobra pra fazer um vídeo elencando o que gosta e o que não gosta pra ser considerado gerador de conteúdo. Está criada a geração dos que tem muita coisa do que reclamar, mas que só reclama do que não tem real importância.

Filho meu que não bata palma pra Pecê Siqueira, senão a palma vai bater de volta.



Americanos Mal Acostumados

Recentemente alguns representantes dessa curiosa espécie abandonada por Darwin chamada povo estadounidense resolveu se manifestar de maneira bastante intempestiva na rede social Facebook.

Tudo aconteceu por que a Coca Cola “acidentalmente” postou duas frases em sua fan page, uma em português e outra em romeno, visíveis também para os fãs da marca nos Estados Unidos. Aí foi aquela chuva de protestos xenofóbicos porque os americanos não estão acostumados nem interessados em ler outra língua que não a sua própria.

Quem sai perdendo com essa babaquice em pleno 2011 são eles, mas curiosa foi a forma da Coca Cola, marca das razões para acreditar, se manifestar: a marca apagou o post. O Facebook foi outra marca “global” que não se manifestou frente a esse ataque de estrelismo americano que foi justificado como uma defesa contra a “invasão estrangeira” de uma de suas lovemarks, o próprio Facebook, considerado por eles como um 51º estado.

Que filhos da puta. Mas sinceramente, não dá pra julgar essa atitude, afinal Coca Cola e Facebook são eles próprios, americanos e, portanto, cúmplices dessa mentalidade imbecilóide.

Então a pergunta que eu faço é: quem mal acostumou os americanos?

Pois é.


E agora, José?

Um texto especial de dia dos pais:

Estava Jesus sentado na porta da marcenaria de seu pai pensando no que comprar para o mesmo no Dia dos Pais. As opções de presentes não eram muitas: mirra, ouro incenso… pensou Jesus.

E aí pensou também no que dar para seu outro Pai, (que cá entre nós era uma pessoa difícil de presentear), e se lembrou que seu próprio pai, José, também deveria comprar um presente para Ele, afinal também era filho de Deus.

E, nesse caso, irmão de Jesus.

Mas sendo Jesus o próprio Deus reencarnado, José não era só pai-irmão de Jesus, como também filho. O que fazia de Deus não só pai como também neto de Jesus.

“Toda família tem confusões, mas isso é ridículo!” pensou Jesus.

O menino-Deus pegou então duas garrafas de água, transformou-as no melhor vinho que conseguiu e teve um agradável almoço de Dia dos Pais. Afinal, quando se está biologicamente e espiritualmente programado para amar alguém, fica difícil se preocupar muito com problemas familiares que nenhuma geração vai conseguir resolver: nem a deles, nem a sua e muito menos a que você vai gerar.

Vá abraçar seu pai (física ou espiritualmente).


Orgulho Hétero

Às vezes penso que a nossa dificuldade em achar graça no humor produzido hoje não é culpa do humor, mas desse mundo cada vez mais pastelão que vivemos.

A última atitude bestalóide que presenciamos foi a aprovação pela Câmara dos Vereadores de São Paulo do DIA DO ORGULHO HÉTERO. Eu podia encerrar o texto aqui, e deixar no ar apenas a imagem mental de alguém desfilando seu orgulho hétero por aí, que já seria argumento suficiente pra mostrar o quanto a ideia é ridícula. Mas não é isso o mais preocupante.

Imagine você na escola, com 5 anos, e seu coleguinha diz que tem um amigo imaginário. Até aí tudo bem, cada um vive a vida com se sente melhor. O problema é que seu amiguinho não se contenta em andar por aí com esse amigo imaginário, ele quer que o amigo imaginário seja o menino mais popular do colégio, aquele que manda e desmanda e todo mundo vai atrás. E o pior: com medo de serem repreendidos pela professora – por considerarem o coleguinha um maluco, seus outros amiguinhos corroboram as atitudes dele. Bizarro não?

Pois saiba que esse menininho com o amigo imaginário tem nome, e o nome dele é “bancada evangélica”. A própria situação imaginada acima não está muito longe da verdade, graças ao maldito politicamente correto e suas consequentes distorções do conceito de liberdade de expressão. O raciocínio é pretensamente simples: se uns têm direito, por que não ceder esse direito aos outros? Se existe um dia do orgulho gay, nada mais justo que um dia do orgulho hétero. E assim as pessoas são convencidas por esse disparate.

Pois bem, vamos dançar conforme a música: Uma das maiores manifestações a tomar as ruas de nossas cidades hoje em dia é a Marcha para Jesus. Mas e os ateus? Esses também têm direito a marchar por alguma coisa, não? Por isso, proponho a criação de uma marcha de cunho ateísta, a MARCHA PARA O NADA. Duvido que alguma bancada evangélica vá se opor, afinal o raciocínio é deles. Se o dia do orgulho hétero defende “a moral e os bons costumes”, a Marcha para o Nada pode começar defendendo o racionalismo e o darwinismo. Já imaginou? Milhares de pessoas ali, engajadas, marchando para o nada.

Parece absurdo? Talvez. Mas pense nas últimas “marchas” que você viu acontecerem nesse país e me responda: não foram marchas para o nada?


Das maneiras de viver a vida

Existem os pessimistas, existem os derrotistas.

Existem os que mandam correntes por email.

Existem os que não conversam quando acordam.

Existem os que gostam de cozinhar, os que gostam de escrever e os que gostam de fazer sexo.

Existem os que vão pro bar com os amigos como forma de terapia, e existem os que ficam bêbados para dizer o que pensam.

Existem os que acham dormir a melhor maneira de passar o tempo.

Existem os que dão um “bom dia” cheio de exclamações às segundas-feiras pela manhã.

Existem milhões de maneiras de viver a vida, cada uma com o seu motivo e explicação.

Só não existe explicação pra torcer pro Galo.


Minimalismo

Estava aqui olhando meu primeiro post em meu primeiro blog. Curti esse design minimalista que coloquei nele. Gosto muito de minimalismo. Na minha opinião, é a forma da arte nos seduzir: depende muito mais do que o interlocutor imagina do que vê. O minimalismo faz pensar e imaginar.

E se aquela máxima de que cara que compra carro grande tem o pipi pequeno for verdade, tá explicada minha preferência pelo minimalismo.

(me critica mas vai lá ver show de stand up no barzinho.)