Orgulho Hétero

Às vezes penso que a nossa dificuldade em achar graça no humor produzido hoje não é culpa do humor, mas desse mundo cada vez mais pastelão que vivemos.

A última atitude bestalóide que presenciamos foi a aprovação pela Câmara dos Vereadores de São Paulo do DIA DO ORGULHO HÉTERO. Eu podia encerrar o texto aqui, e deixar no ar apenas a imagem mental de alguém desfilando seu orgulho hétero por aí, que já seria argumento suficiente pra mostrar o quanto a ideia é ridícula. Mas não é isso o mais preocupante.

Imagine você na escola, com 5 anos, e seu coleguinha diz que tem um amigo imaginário. Até aí tudo bem, cada um vive a vida com se sente melhor. O problema é que seu amiguinho não se contenta em andar por aí com esse amigo imaginário, ele quer que o amigo imaginário seja o menino mais popular do colégio, aquele que manda e desmanda e todo mundo vai atrás. E o pior: com medo de serem repreendidos pela professora – por considerarem o coleguinha um maluco, seus outros amiguinhos corroboram as atitudes dele. Bizarro não?

Pois saiba que esse menininho com o amigo imaginário tem nome, e o nome dele é “bancada evangélica”. A própria situação imaginada acima não está muito longe da verdade, graças ao maldito politicamente correto e suas consequentes distorções do conceito de liberdade de expressão. O raciocínio é pretensamente simples: se uns têm direito, por que não ceder esse direito aos outros? Se existe um dia do orgulho gay, nada mais justo que um dia do orgulho hétero. E assim as pessoas são convencidas por esse disparate.

Pois bem, vamos dançar conforme a música: Uma das maiores manifestações a tomar as ruas de nossas cidades hoje em dia é a Marcha para Jesus. Mas e os ateus? Esses também têm direito a marchar por alguma coisa, não? Por isso, proponho a criação de uma marcha de cunho ateísta, a MARCHA PARA O NADA. Duvido que alguma bancada evangélica vá se opor, afinal o raciocínio é deles. Se o dia do orgulho hétero defende “a moral e os bons costumes”, a Marcha para o Nada pode começar defendendo o racionalismo e o darwinismo. Já imaginou? Milhares de pessoas ali, engajadas, marchando para o nada.

Parece absurdo? Talvez. Mas pense nas últimas “marchas” que você viu acontecerem nesse país e me responda: não foram marchas para o nada?


Das maneiras de viver a vida

Existem os pessimistas, existem os derrotistas.

Existem os que mandam correntes por email.

Existem os que não conversam quando acordam.

Existem os que gostam de cozinhar, os que gostam de escrever e os que gostam de fazer sexo.

Existem os que vão pro bar com os amigos como forma de terapia, e existem os que ficam bêbados para dizer o que pensam.

Existem os que acham dormir a melhor maneira de passar o tempo.

Existem os que dão um “bom dia” cheio de exclamações às segundas-feiras pela manhã.

Existem milhões de maneiras de viver a vida, cada uma com o seu motivo e explicação.

Só não existe explicação pra torcer pro Galo.


Minimalismo

Estava aqui olhando meu primeiro post em meu primeiro blog. Curti esse design minimalista que coloquei nele. Gosto muito de minimalismo. Na minha opinião, é a forma da arte nos seduzir: depende muito mais do que o interlocutor imagina do que vê. O minimalismo faz pensar e imaginar.

E se aquela máxima de que cara que compra carro grande tem o pipi pequeno for verdade, tá explicada minha preferência pelo minimalismo.

(me critica mas vai lá ver show de stand up no barzinho.)


Quem escreve blog em 2011?

Pois é, eu. No meio da era do videolog.

Com qual motivação? A mesma com a qual eu faço 99% das coisas na minha vida: impulsividade. Tive uma ideia, me animei a tirar ela da cabeça e quando fui ver ela não cabia nos 140 caracteres do meu twitter (@dudunoronha).

Aí me animei a começar a me expressar em mais de duas frases, talvez dê certo. Talvez não.

Provavelmente dará.

Sempre gostei muito de palavras. Escritas ou faladas, palavras são o elemento básico da expressão, que é o que nos leva a ter idéias, que basicamente são o que nos define. E por que “Palavra Imprópria”? Porque “Impropérios” já estava registrado. Simples assim.

Fora isso ter um blog pode ser extremamente vantajoso, veja só você: hoje em dia está na moda ser pseudo inteligente. Começou com aquela rejeição ao “tiopês” uns anos atrás (que eu adorei). Aí evoluiu pras infinitas citações de Clarice Linspector em todas as redes sociais possíveis e imagináveis. Você olha e lá está: a foto da menininha de 13 anos fazendo duckface com as amigas do colégio no mural do facebook com a legenda: “Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar. Clarice Lispector.”

E então chegamos ao ponto: mocinhas de óculos de aro grosso e copo do Starbucks na mão que proclamam que escrever bem é sexy. Estaríamos entrado na era das marias-metáforas? Não sei. Mas olhando a crescente da minha barriga, é uma esperança que quero alimentar.

Vai ter música? Provavelmente. Vai ter dança? Não. Mas vai ter opinião e pensamentos despretensiosos. Todos aqueles que não couberem no twitter. Pode ser que continue em Calibri e com certeza terá texto menores. No mais não prometo nada.

Pra finalizar, me expresso com o seguinte:

A palavra é o meu domínio sobre o mundo.

Clarice Lispector


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